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A Amazônia e o Cerrado são as principais regiões produtoras de commodities no Brasil, em especial pela pecuária e soja. A produção dessas commodities deverá ser ampliada no país até 2030, com possível impacto na dinâmica de uso da terra e nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), o que pode comprometer as metas brasileiras de redução de emissões (Contribuição Nacionalmente Determinada - NDC, em inglês) no Acordo de Paris. Este estudo investiga as condições para que a produção de carne bovina e soja na Amazônia e no Cerrado cumpra as metas climática e de produção até 2030, de acordo com dois cenários: 1) expansão das áreas de pastagens e de soja por meio da conversão legal de vegetação nativa, com práticas habituais de manejo (cenário business as usual - BAU); 2) intensificação da pecuária para poupar áreas de pastagens para expansão da soja, sem conversão de vegetação nativa. Os resultados mostram que o manejo das áreas atuais de soja (20,9 milhões de hectares - Mha) e pastagens (106,1 Mha) na Amazônia e no Cerrado emitiu 326.4 ±76.6 MtCO2e em 2015 - quase três quartos das emissões do setor agrícola brasileiro naquele ano (490,9 MtCO2e). Aproximadamente 56% dessas emissões vieram do Cerrado e 97,4% estavam relacionadas à produção de carne bovina. A única fonte de incertezas avaliada nesse trabalho se refere aos estoques de carbono do solo. Sob o Cenário 1, áreas de pastagens e de soja terão que avançar em 11,2 e 9,5 Mha (20,7 Mha), respectivamente, sobre áreas de vegetação nativa, para que os níveis esperados de produção até 2030 sejam alcançados. As emissões de GEE provenientes do manejo agropecuário das áreas expandidas de soja (30,4 Mha) e de pastagens (117,3 Mha) nesses biomas tendem a aumentar em relação aos níveis de 2005 e se distanciar da meta da NDC para o setor agrícola (principalmente devido ao aumento do rebanho e uso de insumos na produção), mas não significativamente por causa das incertezas quanto à variação do estoque de carbono no solo. No entanto, as emissões provenientes da conversão legal de vegetação nativa para a expansão de 20,7 Mha em áreas de produção emitiriam 2,7 GtCO2e até 2030. De acordo com a NDC brasileira essas emissões precisarão ser compensadas para que a meta do setor de Uso da Terra e Florestas possa ser cumprida. Esse nível de compensação está próximo de 125% das emissões brasileiras de GEE em 2015 (2,1 GtCO2e), o que torna o Cenário 1 um fardo significativo de mitigação de GEE para a consecução da NDC do país. Sob o Cenário 2, um aumento da lotação animal das áreas de pastagem em 8,5% acima do nível no cenário BAU (de 1,06 a 1,15 UA ha-1) é suficiente para poupar 9,5 Mha de pastagens adequadas não apenas para a expansão da soja, mas também para atender à produção esperada de carne bovina até 2030. As emissões de GEE provenientes do manejo agropecuário do Cenário 2 tendem a diminuir em relação aos níveis de 2005 e se aproximarem da meta da NDC para o setor agrícola (principalmente devido a redução da área de pastagem e aumento da eficiência do rebanho). Contudo, o Cenário 2 evita a compensação em larga escala de emissões de GEE para atender à meta climática. No entanto, a implementação do segundo cenário exige o aprimoramento de políticas que aliem a intensificação de áreas de pastagem a incentivos, a fim de evitar a conversão legal e poupar terra para outros sistemas de produção. Fomentar a intensificação moderada das pastagens, ajustar linhas de crédito e mecanismos para estimular a conservação florestal e liberação de áreas já abertas para outros usos e estabelecer sistemas robustos de monitoramento são passos fundamentais para identificar modelos adequados de agricultura de baixo carbono que leve a múltiplos benefícios ambientais e produtivos para os biomas da Amazônia e Cerrado.

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