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Livro traz pesquisas pioneiras confirmando benefícios da certificação socioambiental.

Conservação e recuperação dos ecossistemas naturais em propriedades certificadas. Conservação e recuperação dos ecossistemas naturais em propriedades certificadas. Acervo Imaflora

por: Comunicação Imaflora | fonte: Comunicação Imaflora [ 16/06/2009 ]

Realizado a pedido do Imaflora e executado pela ESALQ/USP, pesquisas de campo mostram mudanças significativas para o meio ambiente, condições de vida do trabalhador e gerenciamento dos negócios.

O Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – acaba de publicar o livro “E certificar, faz diferença? Estudo de avaliação de impacto da certificação FSC/RAS”. A publicação reúne três estudos e pesquisas de campo, realizados pela primeira vez no Brasil, com o objetivo de quantificar e qualificar os efeitos da certificação socioambiental e foram executados pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – USP.

A demanda partiu do Imaflora e para atendê-la a ESALQ/USP precisou desenvolver a metodologia, até então, inexistente. “Elegemos a certificação socioambiental como nossa ferramenta de trabalho desde 1995 e acreditamos nela como instrumento capaz de gerar mudanças efetivas. No entanto, apesar de vermos sua eficácia na prática, sentíamos necessidade de medir seus efeitos e alcance e isso só seria possível através de um estudo minucioso, isento e independente”, explica Luis Fernando Guedes Pinto, secretário-executivo do Instituto”.

A ESALQ/USP foi a campo, ao longo de 2008, nas fazendas de café no Cerrado e no sul de Minas Gerais, nas plantações florestais no sul do país e nas comunidades extrativistas no Acre, sempre comparando os quesitos socioambientais em empreendimentos certificados e não certificados. Em todas as situações, os benefícios da certificação foram amplamente constatados. O Imaflora adota os princípios do FSC (Conselho de Manejo Florestal) para a certificação de produtos florestais e da Rede de Agricultura Sustentável (Rainforest Alliance Certified) para produtos agrícolas. No fim do texto há pequena explicação a respeito das duas entidades. Abaixo, segue um breve resumo dos resultados:

Café - Nas fazendas de café foram avaliados, entre outros quesitos, a quantidade de florestas protegidas e em restauração, a conservação dos recursos naturais, o uso de agrotóxicos, o destino do lixo e de outros resíduos, o respeito aos direitos dos trabalhadores e as condições de higiene e de segurança dos alojamentos das propriedades. Nesses casos, a pesquisa constata que os benefícios da certificação foram especialmente significativos no que se refere às condições e qualidade do trabalho da mão de obra empregada. Isso inclui maior nível de escolaridade, qualidade e limpeza das moradias, consultas médicas de rotina, baixa rotatividade de trabalhadores fixos e temporários, maior treinamento e capacitação da mão de obra, além de conservação e recuperação dos ecossistemas naturais.

Plantações Florestais – Foram comparados sete empreendimentos certificados e sete não certificados, nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e os benefícios da certificação foram constatados em todos os quesitos avaliados, em maior ou menor escala. Destacam-se os seguintes pontos: salários e benefícios trabalhistas superiores aos dos empreendimentos não certificados, qualidade da alimentação recebida, uso de equipamentos de segurança no trabalho e outros aspectos ligados à saúde e segurança. Quanto aos benefícios ambientais, a pesquisa identificou que nas propriedades certificadas, os empreendimentos apresentavam, em média, 42% de suas áreas destinadas à conservação contra os 20% previstos em lei para a região. Confirma ainda que as plantações florestais protegem os remanescentes de Mata Atlântica.

Comunidades florestais – Nesse caso, é importante ressaltar uma particularidade do universo estudado: há muitos anos, o governo do Acre e outros setores do manejo florestal do estado adotam diversos princípios da certificação socioambiental como integrantes de suas políticas públicas. Portanto, o estudo identifica impactos positivos da certificação, mas em pequena intensidade. Se, do ponto de vista acadêmico, não foi possível isolar totalmente os efeitos do que vem da certificação ou das políticas locais desenvolvidas, a combinação desses dois fatores indica o caminho da mudança desejada pelo Imaflora.

Serviço:
Para acessar a versão digital, clique aqui.

Sobre os certificados FSC e RAS:
O certificado FSC é concedido para empreendimentos (empresas e comunidades) com boas práticas de manejo florestal, que seguem rigorosos critérios sociais e ambientais, convencionados internacionalmente pelo FSC (Forest Stweardship Council, Conselho de Manejo Florestal), estabelecidos de maneira a preservar, ao máximo, a biodiversidade da região. É condição ainda que a cultura e a subsistência das comunidades locais sejam respeitadas, que a contratação da mão-de-obra seja feita de acordo com a legislação em vigor; que os trabalhadores tenham sido treinados e recebido condições dignas de trabalho e alimentação. Tanto o sistema do FSC como da RAS existem para garantir que o manejo florestal e a produção agrícola contribuam para o desenvolvimento sustentável.

O Imaflora está habilitado a avaliar florestas no Brasil, devido a uma parceria com a Rainforest Alliance credenciada ao FSC. Além disso, o Imaflora e outras sete ONGs da América Latina fazem parte da Rede de Agricultura Sustentável.

Sobre o Imaflora:
O Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola - é uma Organização Não Governamental, sem fins lucrativos, que trabalha para promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e para gerar benefícios sociais nos setores florestal e agrícola. Com atuação nacional e participação em fóruns internacionais, foi fundado em 1995 e tem sede em Piracicaba, interior de São Paulo.

 
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