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Daniele Rua
Em tempos de discutir mudanças climáticas num contexto de
existência e permanência da humanidade na terra, nos é revelada a importância
de uma formação ética capaz de dar substância humana às relações no mundo
contemporâneo.
Como mencionado por Edgar Morin filósofo francês,  internalizamos o conceito Estado-Nação da
forma mais “bairrista” possível, o que nos afasta de uma ética global capaz de
nos ajudar a resolver os grandes problemas os quais exigem soluções
multinacionais, transnacionais, continentais e até planetárias como é o caso
das mudanças climáticas.
O desafio neste sentido é apoiar o nascimento de uma
ética capaz de acomodar a contemporaneidade em toda sua diversidade, a qual se
reflita numa consciência capaz de compreender questões amplas que impactam a
todos (como as mudanças climáticas), mas que se resolvem no âmbito local, e
considera todas as influencias e especificidades em que este se insere.
O caminho para chegar a esta ética? Repensar o modo de
ensinar ética. Entender que não se trata de “fazer a cabeça das pessoas” ou
dizer como devem conduzir-se, mas despertá-las para seu papel frente a
realidade, utilizando sua linguagem, seu conjunto de experiências, referências
de suas próprias histórias, de suas relações e do seu tempo. 
A contribuição da educação formal num projeto de
Estado-Nação é o de formar indivíduos que empreendam com ética seu projeto de
vida, capazes de perceber de forma autônoma suas influências e
responsabilidades também na resolução dos problemas locais e globais. E no
contexto da discussão de uma Base Nacional Comum Curricular para a educação no Brasil
devemos atentar-se para que os objetivos de aprendizagem sejam capazes de
substituir um pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e
une. Isso também nos permitirá frear o enfraquecimento democrático que suscita,
em todas as áreas da política, a expansão da autoridade dos experts,
especialistas de toda ordem, que restringem progressivamente a competência dos
cidadãos. Pois caso contrário, continuaremos a ouvir que o problema das
mudanças climáticas, perda de biodiversidade, entre outras questões de tamanha
relevância são assuntos para ambientalistas resolverem!
Conheça a Base!
A Base Nacional Comum Curricular é uma importante
política pública que definirá o que será ensinado em todas as escolas do
Brasil. O documento está aberto para consulta pública até 12 de dezembro de
2015. O Imaflora irá preparar um série de artigos de opinião de modo a
contribuir com o debate público em torno dos objetivos e desafios de da
construção de uma Base Nacional capaz de contribuir com nosso projeto de nação.
Participe! Manifeste sua opinião acessando aqui:
http://basenacionalcomum.org.br e http://basenacionalcomum.mec.gov.br


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