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por Heidi Buzato
A agricultura e o
mundo rural são temas importantes dentro dos governos, da sociedade e da
academia, sendo uma área estratégica para o desenvolvimento do país. Refletir
sobre as transformações que o mundo rural vem vivendo, torna-se assim,
fundamental para promover o diálogo institucional, as ações governamentais e a
produção de conhecimento. Ciente desse desafio,a
UFSCar - Universidade Federal de São Carlos - promoveu um encontro
internacional para debater o “mundo rural” e suas relações com o meio ambiente,
trabalho e com a questão agrária. O seminário contou com a participação de
vários especialistas das universidades brasileiras dos Estados de Pernambuco,
Rio Grande do Sul, São Paulo, de países como Argentina e Espanha, além de
alunos de cursos de mestrado e doutorado dessas e de outras universidades.
Nova Ruralidade é
um termo que se estabeleceu no meio acadêmico para redefinir o mundo rural na
atualidade. Entender como se configura esse espaço e seus novos usos, quem são
os novos atores existentes, quais as novas atividades econômicas, os novos
serviços prestados, incluindo aí os serviços ambientais, as relações de
trabalho, as questões fundiárias são fundamentais para entender como se
configura essa nova ruralidade.
Um dos temas que
ganhou destaque nas discussões e que compõe essa nova ruralidade é a relação
existente entre campo e cidade, cujo debate envolve a concepção de que o campo
se explica não apenas pelas atividades agrícolas ali existentes mas na sua
relação com as cidades, num continuum
que implica em relações sociais, econômicas, comerciais, culturais e políticas
interdependentes. Essas relações vêm mudando na atualidade e provocando uma
redefinição na importância dos ativos e dos atores desse espaço.
Outro tema de
importância crucial dentro desse debate diz respeito à produção de alimentos,
não apenas em relação à quantidade e qualidade mas em relação aos atores que
exercem o controle sobre a produção. Nesse campo, foram abordados temas, como a
agroecologia e as cadeias de comercialização, a perda da capacidade de
regulação do Estado diante de novas dinâmicas de poder, identidade dos
produtos, certificação etc.
Na questão
ambiental o desafio se apresenta na relação entre a produção de alimentos e a
conservação ambiental. A agricultura tem sido, muitas vezes, a responsável
pelos efeitos nefastos de devastação dos recursos naturais, ao mesmo tempo em
que o mundo rural é o guardião dos recursos naturais como a água, a
biodiversidade e outros.
Além de questões
econômicas e ambientais, a nova ruralidade também é composta por novas relações
de trabalho. Como consequência dos processos de modernização da agricultura e
de globalização de mercados que permeia esse novo mundo rural, observa-se que
as transformações operadas no trabalho industrial  alcançaram as relações de trabalho no campo
promovendo novas formas de exploração do trabalho promovidas pela aceleração do
tempo de trabalho, mecanização, terceirização, flexibilização das relações de
trabalho, mobilidade de populações (migrações interestaduais). No conjunto
dessas transformações, permanecem os paradoxos de uma sociedade desigual com a
brasileira onde observa-se por um lado, a existência de conquistas de direitos
trabalhistas, previdenciários e outros para o trabalho no campo,  e por outro, a existência de formas de
trabalho análogas à escravidão.
Por último, mas
igualmente importante, o debate se trava também em relação à questão agrária.
Por um lado, alguns estudiosos deslocam o foco da questão agrária para a
produção de alimentos e a conservação ambiental, entendendo que a reforma
agrária não é mais uma pauta importante da agenda governamental uma vez que a
demanda por terra não é mais tão importante quanto a questão dos recursos
necessários para viabilizar quem está na terra, enquanto outros entendem que a
questão agrária é ainda um tema da maior importância, que determina a estrutura
fundiária do país e é a base das desigualdades e da pobreza existente no campo.
O tema é bastante
amplo e esse artigo não tem a intenção de esgotá-lo, mas de levantar as
principais questões em debate na academia, nos governos e na sociedade. As
questões debatidas possuem uma interface importante com os trabalhos realizados
no Imaflora pois trazem uma reflexão sobre as novas configurações do espaço
rural brasileiro, as transformações no uso de recursos naturais disponíveis e
nas relações socioeconômicas existentes, apontando para a necessidade de
entender os novos desafios existentes. As ações, programas e projetos
realizados pelo Imaflora têm na sua base esse novo mundo rural em
transformação, e entendê-lo melhor é fundamental para a realização de sua
missão institucional.


Imaflora

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