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Por Eduardo Trevisan Gonçalves
Não é novidade a grande
mudança que está acontecendo na cafeicultura brasileira nos últimos 15 anos,
com o maciço investimento na produção de cafés especiais. O Brasil a cada dia
conquista mais espaço no cenário mundial dos cafés de alta qualidade e
sustentáveis.
Para se conseguir os cafés
gourmet, é necessário além de um Terroir propício,
como altitude, clima e solos favoráveis e boas práticas de pós colheita,  uma boa variedade de café.
Nesse sentido, a variedade Bourbon
tem sido uma grande aliada dos produtores, especialmente para conquista de
prêmios e elaboração de produtos e blends
especiais. Não por mera coincidência, que os cinco primeiros colocados na
última edição do concurso Cup of
Execellence usaram a variedade Bourbon em seus vencedores lotes[1].  
A variedade de café Bourbon
é uma das mais antigas semeadas em solos brasileiros. Foi encontrada pela
primeira vez em meados de 1708[2]na ilha de Bourbon no
Oceano índico, (hoje chamada Ilha de Réunion). 
No Instituto Agronômico de Campinas,
vários artigos descrevem a importância do Bourbon Vermelho e Amarelo para o
desenvolvimento da cafeicultura no Estado de São Paulo, especialmente entre
Campinas e Região de Ribeirão Preto, local onde as primeiras plantações
comerciais foram realizadas.
Um artigo publicado no
jornal “Diário da Manhã” de Ribeirão Preto em
18/06/1937, Plínio Travassos dos Santos[3], cita
que as primeiras mudas foram semeadas em Resende, Estado do Rio de Janeiro
sendo plantadas numa horta na Fazenda Monte Alegre e posteriormente, as mais
sadias, distribuídas para outras regiões, especialmente nos locais de terra
roxa do Estado de São Paulo.
Suscetível à ferrugem do
cafeeiro (Hemileia
vastatrix
)
e considerado de baixa produtividade, nas décadas de 1950 a 2000 aos poucos o
Bourbon foi substituído por outras variedades mais “modernas”, bem como
preterido por outras variedades em novos cultivos, sendo as suas maiores
lavouras (antigas) concentradas em sub regiões do Sul de Minas e adjacências
paulistas como o Vale da Grama,  Carmo de
Minas e Mantiqueira.
Em virtude da recente
valorização dos cafés gourmet e especiais, novamente se vê novas lavouras de
Bourbon, mesmo que pequenas, sendo plantadas nas mais diversas regiões
cafeeiras como Cerrado, Sul de Minas e Mogiana.
Café Bourbon Amarelo, Faz. Serrado, Carmo de
Minas MG

Do lado da indústria, já
existem várias marcas de café que destacam a variedade em seus rótulos, com
destaque à Cambraia, Baggio e Astro, bem como dezenas de outras ao redor do
mundo, sejam os grãos provenientes do Brasil ou mesmo de outras regiões famosas
que possuem Bourbon como Colômbia, El Salvador e alguns países africanos. 
Globalmente, a Nespresso divulga
a variedade cultivada no Brasil desde 2006 com o lançamento de uma Edição Limitada
e em 2009 com um produto permanente de origem pura, o Dulsão do Brasil, uma capsula de origem pura com 100% de seu
conteúdo de Bourbon.
Bourbon Amarelo: Faz. Recreio, São Sebastião da
Grama SP

Toda esta valorização se
traduz em um ressurgimento da variedade Bourbon, especialmente nas regiões do
Sul de Minas e Mogiana, sendo que não é raro encontrar por ai, cafeicultores semeando
novas roças.  As tecnologias mais atuais
de manejo, também estão ajudando a garantir maior produtividade e controle de
pragas e doenças com maior efetividade, possibilitando que os apreciadores de
café aproveitem as características únicas do legitimo café Bourbon.


[1] (http://bsca.com.br/cup-of-excellence.php?id=19).[2]http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_coffee_varieties[3](http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=19954)


A Retomada do Bourbon A Retomada do Bourbon
Imaflora

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