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Ericka Pardini Morrone¹, Sonia Regina Paulino²
A certificação ambiental é um instrumento de mercado em
ascensão que surgiu diante da importância que a conservação ambiental passou a
ter para os consumidores devido aos diversos problemas que as intervenções
humanas causaram no ambiente. Esse instrumento permite diferenciar empresas e
reduzir assimetrias de informação entre produtores e compradores.
Quando a empresa adota uma certificação passa a ter
melhoria no desempenho de seu sistema de gestão ambiental incorporando
procedimentos sistemáticos de avaliação de impactos, auto verificação do
cumprimento de requisitos e gestão de riscos mais eficaz.
Para que tenha sucesso, é preciso que existam nichos de
consumidores com consciência ambiental ou preocupação com o impacto ambiental
dos estilos de vida e consumo da sociedade e com disposição para arcar com
preços mais elevados em troca de produtos que agridam menos o meio ambiente,
seja em seu processo produtivo, seja em seu uso e disposição final.
O acesso a mercados que valorizam atributos ambientais de
organizações e de produtos é uma força motriz da certificação, o que traz à
tona a questão da divulgação de informações suficientes para que a sociedade
saiba o que existe por trás do certificado obtido pela empresa. Diante disso,
nos deparamos com a crescente importância da divulgação de informações sobre a
política ambiental, os objetivos e metas e o desempenho ambiental das empresas,
de modo a estabelecer uma orientação para a transparência dos sistemas de
certificação.
Apesar da obviedade desta questão, muitas vezes não há
interesse das empresas em divulgar informações sobre o desempenho de seus
sistemas de gestão ambiental, como é o caso daquelas certificadas na ISO 14001,
que dificilmente munem as partes interessadas de informações que comprovem os
benefícios de seus sistemas de gestão ambiental certificados.
Considerando esta questão, algumas certificações buscam
preencher essa lacuna e aumentar a transparência essencial para a credibilidade
do processo, como é o caso do EMAS (Eco-ManagementandAuditScheme), FSC (Forest
Stewardship Council ) e Cerflor (Programa Brasileiro de Certificação
Florestal). Nestas certificações há divulgação pública das informações evidenciadas
nas auditorias realizadas periodicamente. No caso do FSC, esta divulgação é
feita por meio dos resumos públicos de auditoria, que são documentos que
apresentam informações como a descrição do escopo do certificado e principais
características da propriedade; o resumo do plano de manejo florestal adotado;
explicações sobre como se deu o processo de auditoria e a consulta pública às
partes interessadas; bem como os resultados da auditoria representados pelas
não conformidades identificadas no processo.
Uma análise dos resumos públicos de auditoria de manejo
florestal mostra que ainda há de se evoluir nas formas de relacionamento com as
comunidades impactadas pelos empreendimentos florestais e também no
aperfeiçoamento da divulgação das não conformidades de maneira mais clara.
Sobre esse segundo ponto, é válido frisar que, visto que os resumos públicos
são divulgados para diversas partes interessadas, pode ocorrer de um público
que não possua conhecimentos técnicos ter contato com o material. Diante disso,
seria válido que as não conformidades fossem descritas de maneira mais
acessível e compreensível, sem usar uma linguagem exclusivamente técnica.
Apesar desta questão,
a divulgação pública dos resultados das auditorias dos sistemas de gestão é uma
prática importante voltada para o aumento da informação aos consumidores que
contribui com ganhos de credibilidade e fortalece os sistemas de certificação
evitando, desta forma, que a certificação se torne um mero instrumento de
marketing verde.

¹Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade/Escola de Artes, Ciências e Humanidades/USP.
²Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade/Escola de Artes, Ciências e Humanidades/USP.




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