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Jefferson
Adorno deixou o emprego como engenheiro eletrônico (e os congestionamentos) na
capital paulista para apostar na sustentabilidade ambiental e econômica de um cafezal em Santo Antonio do Jardim,
na divisa do estado de
São Paulo com Minas Gerais. A família ganhou qualidade de vida.
A terra ganhou resiliência. E os consumidores, um cafezinho muito mais
saudável!

Quando
Jefferson chegou, em 2000, a gestão da propriedade rural era tradicional, do
jeitinho conduzido pelo pai em décadas, e do mesmo jeitinho adotado pelos
vizinhos até hoje. O cafezal ocupava metade dos 128 hectares de terras e a
outra metade era de pastagem para o gado
leiteiro. A produção de leite logo encolheu e agora é mantida
apenas para consumo próprio. Os investimentos foram canalizados para a
modernização do cafezal, embora se mantenha a comercialização de alguns
produtos secundários, como jabuticaba e mel.

Uma das
primeiras providências do engenheiro foi dar início ao processo de certificação do café
junto à Rainforest Alliance,
certificadora sediada em New
York, cujas prioridades são os impactos ambientais e sociais da
propriedade, e junto à UTZ,
uma certificadora holandesa especializada em cafezais, com interesse na rastreabilidade do
café e na segurança
alimentar.

As áreas de
acesso do gado às 7 nascentes e 2 córregos que passam pela propriedade foram
fechadas com cercas e Jefferson construiu bebedouros à sombra das árvores.
Assim, pôde dar início ao enriquecimento das matas ciliares e ao reflorestamento ao
longo do Córrego Jardim, que abastece a zona urbana depois de passar por ali.

Hoje a
propriedade tem 27 hectares de vegetação nativa em franca recuperação e o
engenheiro segue plantando com a ajuda do mel, que comercializa em entrepostos
naturais e via internet. Dois frascos de mel vendidos correspondem ao plantio
de uma muda de árvore
nativa, uma maneira simpática encontrada pelo engenheiro para
amortizar o alto custo da recomposição
florestal na região.

Jefferson
ainda fechou a descarga da lavagem do curral, que antes seguia direto para o
curso d’água. E agora tem um tanque de 10 mil litros para captar e curtir os
resíduos, transformados em fertirrigação
para o café. 
“Durante alguns anos, a título de experiência, reguei um talhão de
café com o chorume do
curral e deixei outro igualzinho, ao lado, sem a
fertirrigação”, lembra. “Não notei muita diferença na parte aérea da planta,
mas um dia estava mexendo com uma máquina ali perto e resolvi abrir uma
trincheira para ver as raízes desse café: elas tinham mais de 1,80 metro de
profundidade, enquanto a do outro café, sem chorume, mal chegava a 50
centímetros”.

Se fosse
para apostar na capacidade de um cafeeiro resistir às flutuações climáticas,
não há dúvida de que aqueles pés regados a chorume levariam grande vantagem.

“Na
adaptação do cafezal, uma grande dificuldade foi convencer o administrador a
plantar capim nas entrelinhas do café”, conta. Para os cafeicultores
tradicionais, qualquer “mato” no meio do café rouba a força, a água e os
nutrientes do produto principal. Na verdade, não é nada disso: o capim é
periodicamente roçado e espalhado nos pés de café como cobertura morta,
ajudando a conservar a umidade
e a fertilidade viva
do solo. A presença dessa cobertura morta também reduz o crescimento de plantas
invasoras e, consequentemente, diminui a necessidade de herbicidas.

Já o uso de
fungicidas e inseticidas foi reduzido com a adoção do manejo integrado de pragas
e com o monitoramento constante. O cafezal é periodicamente inspecionado e as
pulverizações preventivas foram eliminadas. “Temos talhões que ficam 2 anos sem
uma aplicação de fungicida, já ficamos até 3 anos sem aplicar inseticida. Se o
produtor aplica sempre os coquetéis preventivos, conforme as instruções dos
revendedores, ele nunca vai perceber que não são necessários”, alerta o
cafeicultor.

Outra
providência tomada foi o plantio de árvores para sombrear o café. “Não é
qualquer árvore, precisa ter uma sombra mais ou menos permeável, de modo que o
café mantém a produtividade, mas fica protegido do mau tempo”, ressalta. “Na
região do Trópico de Capricórnio a sombra deve ser de 30%, mais ou menos”. Em
2011, uma forte geada serviu de teste para o sombreamento: os pés de café que
estavam embaixo das copas das árvores nada sofreram, mas aqueles expostos
perderam as folhas, houve quebra na colheita seguinte e alguns até secaram. Em
janeiro de 2014, outra prova: os pés de café a pleno sol sofreram escaldadura
(queimadura pelo excesso de calor) em 60% das folhas, enquanto no café
sombreado a escaldadura atingiu somente 40% das folhas.

“Com o
sombreamento do café não consigo fazer a colheita mecanizada perto das árvores
e dependo da colheita manual, sendo que temos dificuldade de conseguir
mão-de-obra, é caro”, diz Jefferson Adorno. “Mas o café sombreado tem mais
qualidade e, com a certificação, é possível obter um preço um pouco melhor,
então compensa”.

Veja mais fotos e vídeo em: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/agrisustenta/2014/04/03/cafe-certificado-e-coisa-de-engenheiro/

Fonte: AgriSustenta




 
Café certificado é coisa de engenheiro
Imaflora

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