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Observatório
das UCs - 18/03/15


É
grande a distância e difícil o acesso à chamada Calha Norte do rio Amazonas, no noroeste do Pará. E são
justamente estes os motivos que garantem a conservação do mosaico de áreas
protegidas que formam o Escudo das Guianas, uma das formações geológicas mais
antigas do planeta Terra, com 4,5 bilhões de anos, e que se distribuiu entre as
Guianas, Venezuela e Brasil.
Localizada
no Pará, a Calha Norte representa 12% do Escudo das Guianas. Apenas neste
pedaço há 23 áreas protegidas e 2 milhões de hectares de floresta tropical.
Ao
todo são 11 Unidades de Conservação (UCs) – das quais 7 estaduais e 4
federais, além de 5 Terras Indígenas (TIs) e 7 Territórios Quilombolas. Para se
ter uma ideia da dimensão das áreas protegidas, a Calha Norte equivale aos
estados do Paraná e Alagoas juntos.
Este
grupo de UCs se conecta com outras no Amapá e Amazonas e, assim, forma o maior
corredor do mundo de áreas protegidas e biodiversidade em florestas tropicais.
Entretanto, está ameaçado por invasões a UCs pela sua porção sul, e por
empreendimentos como hidrelétricas e minerações, inclusive às feitas pelo
garimpo ilegal.“Como
essa área toda foi destinada a UCs, além de Terras Indígenas e Territórios
Quilombolas, a grande questão é potencializar o desenvolvimento da região que
concilie com a conservação da natureza. É a oportunidade de mostrar novos rumos
para a Amazônia”, disse Leo Ferreira, coordenador de projetos do Imaflora (Instituto de Manejo e
Certificação Florestal e Agrícola)
.
Uma cadeia sustentável
  Há
cinco anos Leo Ferreira se divide entre Piracicaba e a Calha Norte, onde
realiza projetos com 35 comunidades quilombolas no município de Oriximiná, com cerca de
60 mil habitantes e maior do que países como Portugal e Dinamarca em extensão
territorial.
Ferreira
passa 10 dias por mês na floresta. Em um breve momento em que tinha sinal de
celular, o coordenador do Imaflora conversou com o Blog do Observatório de UCs.Ele
havia acabado de retornar de uma das comunidades quilombolas incluídas no
projeto Florestas de Valor,  iniciado em 2009, e voltado a promover
atividades econômicas sustentáveis, que incluem produtos florestais não
madeireiros e agroecologia.
“Apoiamos
empreendimentos como a implantação de quatro unidades de beneficiamento de
alimentos para atender a merenda escolar. Também apoiamos a comercialização de
óleo de copaíba e produtos florestais como a castanha do Pará e o cumaru.
Estamos prospectando outros produtos com potencial junto às comunidades”, disse
Ferreira.
Tanto
o óleo de copaíba como a semente cumaru têm propriedades
medicinais e são ingredientes muito apreciados pela indústria de cosméticos. Há
dois anos, uma parceria comercial firmada entre as comunidades extrativistas quilombolas
e uma empresa de suíça que opera no Brasil já possibilitou a comercialização de
6 mil litros de óleo de copaíba.
Novo modelo de desenvolvimento
  Este parece ser um novo modelo de desenvolvimento
florestal. Ferreira assegura que 3 mil pessoas na região estão diretamente
envolvidas nestas atividades, que também beneficiam de forma indireta outras 20
mil.“Estamos refinando os estudos para fazer cálculos
dos impactos econômicos. Estas atividades são uma motivação para as pessoas. É
algo também que valoriza a floresta em pé”.Ferreira ressalta que esta é uma região em que é
incipiente a presença do Estado como fiscal e agente de conservação. Por isso,
defende que a melhor forma de conservar a Calha Norte é continuar a desenvolver
programas como o Florestas de Valor, que estabelecem parcerias com as
comunidades locais de ribeirinhos, quilombolas e indígenas, e que geram um
incentivo à conservação.
Saiba mais sobre as áreas protegidas na Calha
Norte:
As UCs federais:Floresta Nacional (Flona) Saracá-TaqueraFlona de MulataReserva Biológica (Rebio) do Rio TrombetasEstação
Ecológica Grão-Pará
, a maior unidade de conservação de proteção
integral em florestas tropicais no mundo, ultrapassando em 362.871
hectaresRebio
MaicuruAs UCs estaduais:Floresta Estadual (Flota) de FaroFlota de TrombetasFlota do ParuParque Estadual Monte AlegreÁrea de Proteção Ambiental (APA) Paytuna
Fonte:
Observatório de UCs e O
Eco



Calha Norte: 2 milhões de hectares de florestas e uma nova economia no horizonte Calha Norte: 2 milhões de hectares de florestas e uma nova economia no horizonte Calha Norte: 2 milhões de hectares de florestas e uma nova economia no horizonte
Imaflora

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