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Grupo de Trabalho ABC Instalada em dezembro de 2014, a Coalizão Brasil Clima,
Florestas e Agricultura é uma iniciativa formada por associações setoriais,
empresas, organizações da sociedade e indivíduos, interessados em contribuir
para o avanço e a sinergia das agendas de proteção, conservação e uso
sustentável das florestas, agricultura sustentável e mitigação e adaptação às
mudanças climáticas, no Brasil e no mundo.
O ano de 2015 foi muito importante para a agenda nacional
e internacional de mudança do clima, por conta das negociações da COP21, que
resultaram no Acordo de Paris. Neste sentido, a Coalizão estabeleceu um diálogo
entre diferentes atores, o Governo Federal e as principais organizações
internacionais envolvidas com o tema, visando contribuir com as negociações
multilaterais e a agenda econômica do país.
O movimento construiu, ao longo de seis meses, um
documento coletivo contendo dezessete propostas para o compromisso de mudanças
climáticas, em nível nacional e internacional. Neste escopo de trabalho,
iniciativas para uma agricultura de baixas emissões de gases de efeito estufa
(GEE) foram levantadas para dar escala à contribuição positiva desse setor para
as metas de mitigação.
Como contribuição aos esforços globais de redução dos
impactos da mudança do clima, a agropecuária brasileira tem o potencial de
apresentar as propostas elencadas a seguir.
A. Reduzir de forma contínua as emissões de GEE e/ou o
balanço líquido de CO2eq, por meio da adoção em escala de práticas de baixas
emissões e alto sequestro de carbono, como: recuperação de pastagens
degradadas, intensificação moderada da bovinocultura de corte, ampliação de
sistemas de integração lavoura-pecuária (iLP) e lavoura-pecuária-floresta
(iLPF), adoção de sistemas de plantio direto (SPD), uso de cultivares que
realizam a fixação biológica do nitrogênio (FBN), florestas plantadas e
tratamento de dejetos animais.
B. Incluir incentivos para a expansão agrícola e pecuária
em áreas atualmente degradadas: aproveitar o potencial de expansão sobre estas
áreas, evitando assim a perda de carbono do solo e a conversão de ecossistemas
naturais. Essa aspiração deve orientar os planos plurianuais de investimento e
ação, uma vez que representa o maior potencial de redução de emissões de GEE
pelo setor1. Trata-se ainda de uma medida essencial para suprir, de forma
sustentável, a demanda por produtos agropecuários.
C. Aperfeiçoar o Plano ABC, de forma a garantir o
cumprimento das metas atuais e sua expansão no período pós-2020: manter,
implementar, monitorar e dar maior transparência ao Plano, incluindo a
estratégia de capacitação de gestores estaduais e todas as atividades de apoio
ao produtor previstas.
D. Aumentar os recursos destinados ao Programa ABC dentro
do Plano Agrícola e Pecuário.
E. Eliminar das cadeias produtivas brasileiras produção
oriunda de desmatamento ilegal ou de exploração ilegal.
F. Destacar a contribuição da agropecuária brasileira em
relação à manutenção da vegetação nativa conservada e a ser restaurada nas
propriedades rurais por conta das exigências do Código Florestal e dos
compromissos assumidos internacionalmente pelo Brasil. Uma vez que se encontra
dentro das propriedades agrícolas e sob responsabilidade dos produtores rurais,
o carbono retido ou sequestrado nas áreas de conservação deve ser valorizado
como um esforço do setor agropecuário.
G. Incentivar a produção sustentável, a inovação e o
desenvolvimento tecnológico no setor de agroenergia, considerando o potencial
dessa fonte na substituição de combustíveis fósseis e na diversificação da
matriz energética nacional.
H. Reforçar a integração intersetorial para que os
gargalos para implementação dessas propostas sejam contornados e todo o
potencial de redução do setor agropecuário seja de fato atingido. Dentre os
setores que necessitam de integração com as políticas agropecuárias,
destacam-se: infraestrurura, logística, energia, regularização fundiária e
ambiental e assistência técnica.
Uma série de estudos recentes demonstra o grande
potencial da agropecuária brasileira em contribuir de forma significativa para
a redução de emissões. No entanto, indefinições em relação ao ritmo lento de
adoção das práticas de baixo carbono ao longo do tempo, não permitiram inserir
neste documento um volume específico de redução de emissões de GEE pelo setor
agropecuário para o novo período de compromisso no âmbito do Acordo de Paris.
Além do potencial de mitigação já apresentado pelo Plano ABC, análises do
Observatório do Clima e do Observatório ABC também demostram que a agropecuária
brasileira pode ser crucial na redução do aquecimento global. As propostas
demostram o seguinte potencial:
• O Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às
Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de
Carbono na Agricultura (Plano ABC) indica que a adoção das tecnologias
previstas até 2020 tem o potencial de mitigar de 133,9 a 162,9 MtCO2 eq.2
• O Observatório do Clima3 em parceria com o Imaflora4
calcula que com a adoção de tecnologias de baixas emissões de carbono, a
agropecuária brasileira tem o potencial de reduzir em 50% a emissão projetada
para 2030 em relação ao ano de 2013, passando de 520 MtCO2 eq (2013) para 280
MtCO2 eq (2030). A proposta considera um aumento de 30% na produção
agropecuária e prevê, dentre outras ações, a recuperação de pastagens e seu uso
para expansão agrícola e criação de bovinos. Os cálculos também consideram o
balanço de emissões e remoções de CO2 por solos agrícolas e de pastagens
• O Observatório ABC calcula que, de 2012 até 2023, o
potencial de mitigação da agropecuária brasileira pode chegar a 1.8 bilhão tCO2
eq. Este número é 10 vezes maior do que a meta de redução de emissões
estipulada pelo Plano ABC e considera apenas a adoção de três tecnologias
(recuperação de pastagens, iLP e iLPF), porém de forma ampla, em 52 milhões de
hectares de pastagens degradadas.5
• As referências citadas reforçam o enorme potencial da
agropecuária brasileira em reduzir emissões, se conciliado a políticas públicas
multisetoriais e mecanismos que garantam a atratividade da adoção das
tecnologias de baixo carbono disponíveis. É preciso, contudo, ressalvar que a
realização de todo esse potencial depende da solução de entraves e gargalos que
fogem ao controle do setor agropecuário, relacionados a questões fundiárias,
logísticas, de treinamento, entre outras.
• A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura está
comprometida com a promoção e proposição de políticas públicas, ações e
mecanismos financeiro/econômicos para o estímulo à agricultura, pecuária e
economia florestal que impulsionem o Brasil para liderança global da economia
sustentável e de baixo carbono, gerando prosperidade para todos, com inclusão
social, geração de emprego e renda. Colocamo-nos à disposição do Governo
brasileiro para contribuir com esta agenda, assim como para esclarecer
quaisquer pontos do presente documento.________________________________________  1 De acordo com o Observatório da Agricultura de Baixo
Carbono (Observatório ABC), as pastagens degragadas emitem, em média, 4tCO2e
ha-1 ano-1. (Carvalho et al., 2010; Salton, 2005; Alvez et al., 2006; Lima et
al., 2001; Souza et al., 1997). Uma série de dados e estudos compilados por
Bustamante et al. (2006) indicam que a recuperação e o manejo correto de
pastagens degradadas no Cerrado resultariam em um acúmulo médio de 5,5 tCO2e
ha-1 ano-1. Estes dados corroboram análilses realizadas pela Embrapa e reforçam
o grande potencial de redução de emissões de GEE pela recuperação e uso
inteligente das pastagens degradadas no Brasil.
2 Plano ABC (2012):
http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/download.pdf
3 Proposta do Observatório do Clima para a Contribuição
Nacionalmente Determinada Pretendida do Brasil (Observatório do Clima, 2015):
http://www.observatoriodoclima.eco.br/wp-content/uploads/2015/06/proposta-indc-oc.pdf
4 Iniciativa de clima e agricultura do Imaflora:
www.imaflora.org
5 Invertendo o sinal de carbono da agropecuária
brasileira (2015):
http://mediadrawer.gvces.com.br/original/sumario-atualizado.pdf
Sobre a Coalizão Brasil
A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um
movimento multissetorial que se formou como o objetivo de propor ações e
influenciar políticas públicas que levem ao desenvolvimento de uma economia de
baixo carbono, com a criação de empregos de qualidade, o estímulo à inovação, à
competitividade global do Brasil e a geração e distribuição de riqueza a toda a
sociedade. Mais de 110 empresas, associações empresariais, centros de pesquisa
e organizações da sociedade civil já aderiram à Coalizão Brasil –
www.coalizaobr.com.br.
CONTATOS PARA A IMPRENSA — P&B COMUNICAÇÃO
(11) 9 8294-8794
Karen Tada – [email protected]
(11) 9 8108-7272 Solange A. Barreira –
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