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Leonardo Sobral e Patrícia Cota Gomes: setor pode crescer com o aumento na produção de florestas certificadas

O Brasil produz 600 mil metros cúbicos (m3) de madeira
certificada por ano na Amazônia, cerca de 4% da produção brasileira.
Esse volume, ainda modesto, pode saltar para 1 milhão de m3, o
que representaria 6% a 7 % da produção total. A previsão faz parte de
um estudo inédito sobre as dimensões do mercado de madeira certificada
no país, elaborado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e
Agrícola (Imaflora).


O trabalho "Acertando o Alvo 3 - Desvendando o Mercado Brasileiro de
Madeira Amazônica Certificada FSC" diz que o setor pode crescer por meio
do aumento na produção das florestas certificadas atuais, e de empresas
não certificadas, mas que querem buscar o selo para seu negócio. O
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) estima que o
Brasil produza anualmente 14 milhões de m3 de toras. Pará e Amazonas respondem por 86% da produção de madeira certificada na Amazônia.

"Embora esse número seja tímido, conseguimos identificar um
expressivo potencial de crescimento para os próximos dois anos", diz a
engenheira florestal Patrícia Cota Gomes, coordenadora do estudo. "E
estamos fazendo uma previsão conservadora."


Os 600 mil m3 de madeira certificada produzidos na
Amazônia foram consumidos por 18 serrarias. Parte dessa produção, no
entanto - 28% da madeira, ou 169 mil m3 -, não foi vendida
como certificada, o que provocou a perda do selo de origem de toda a
produção. "Queríamos entender por que isso acontece, e traçar
estratégias para reverter esse quadro", diz Leonardo Sobral, gerente de
certificação florestal do Imaflora e também coordenador do estudo.
"Existe madeira certificada no mercado, que poderia ser comprada como
tal", afirma.


Com a correção dessa distorção, o potencial de crescimento da
produção certificada pode crescer, estimulada também pelo número
crescente de empresas que se candidatam à concessão florestal. O uso
comercial de florestas públicas por grupos privados é possível desde a
promulgação da Lei de Gestão de Florestas Públicas, em 2006. "Essas
empresas têm algum compromisso de sustentabilidade", diz Sobral.


A pesquisa do Imaflora indica que 70% da madeira certificada
produzida no país é destinada à exportação, movimento oposto ao da
madeira da Amazônia, que ruma principalmente para o mercado interno. No
caso do produto certificado, dos 30% que ficam no Brasil, 14% são
consumidos no Estado de São Paulo. O Nordeste aparece em segundo lugar.


Em 2011, os pesquisadores entrevistaram representantes de 16 empresas
com áreas florestais certificadas FSC e de 50 indústrias e serrarias
consumidoras de madeira amazônica, certificada ou não. Esse é o terceiro
estudo de uma série que o Imaflora produziu sobre o mercado de madeira
tropical brasileira. O primeiro, de 1999, (em parceria com o Imazon e
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira), analisou o destino da madeira
amazônica. "Imaginava-se que tudo ia para exportação. Foi aí que
percebemos que 86% da madeira ficava aqui", diz Sobral.


O segundo estudo, de 2002, analisou o que acontecia com a madeira em
São Paulo, o principal centro consumidor. O diagnóstico foi feito em
todos os municípios com mais de 100 mil habitantes. O principal mercado
era o setor de construção civil horizontal. As madeiras mais procuradas
eram cedrinho, jatobá, ipê e angelim.


No novo estudo, os pesquisadores fizeram um raio X da madeira
certificada. "O produtor reclama que não há demanda suficiente e os
compradores dizem que tentam comprar madeira certificada, mas não
encontram", diz Sobral. "Queríamos entender esse nó."


"Existe demanda maior do que se imagina por esses produtos, que
poderia ser atendida com o aumento das florestas", diz Patrícia. O
crescimento da área de florestas certificadas tem sido limitado pela
incerteza fundiária das terras da Amazônia. Para conseguir a
certificação FSC, as empresas têm que estar em acordo com as regras
ambientais, econômicas e sociais.


Existem 11 certificadoras FSC no Brasil. O Imaflora é a única ONG, as
outras são empresas privadas. Segundo o boletim FSC de abril, a área
total com certificação no Brasil é de 7,36 milhões de hectares. O
Imaflora certificou 67% desses 7,36 milhões. Plantações florestais
localizadas no Sul, Sudeste e Nordeste representam a maior parte.


A certificação de florestas naturais na Amazônia (1,26 milhão de
hectares) evolui lentamente. O Brasil é o sexto país em área
certificada. No mundo, desde 1993, há 150 milhões de hectares de
florestas certificadas pelo FSC, que estão espalhadas por 80 países. (DC)

Fonte: Valor Econômico


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Confira o estudo na íntegra no site do Imaflora: http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/ebook_acertando_o_alvo_3.pdf
Estudo mostra potencial de crescimento do mercado
Imaflora

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