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Produtores
de copaíba no Pará passaram a fornecer diretamente a múlti suíça insumos para cosméticos
e alimentos


Marina
GazzoniEnviada
especialAlter
Do Chão (PA)
O
extrativista Pedro Pereira de Castro, nascido e criado na reserva de Riozinho
do Anfrísio, na região conhecida como Terra do Meio, no Pará, começou a vender
óleo de copaíba em um carrinho de mão para atravessadores da região, que
revendiam o produto em Altamira. Hoje, a relação comercial mudou: ele é um dos
fornecedores que vende o óleo diretamente para a multinacional suíça Firmenich,
fabricante de fragrâncias para a indústria
de cosméticos e sabores para a de alimentos, presente em mais de 60 países e
com escritório em Cotia (SP).
Para
o negócio entre os produtores locais e a multinacional se concretizar, as duas partes
tiveram de fazer drásticas adaptações no padrão comercial e produtivo. Pelo
modelo comercial, a cooperativa local reúne o óleo dos “copaibeiros” e vende em
lotes de 500 kg para a empresa. Para fazer o modelo dar certo, a Firmenich teve
de oferecer aos fornecedores
amazônicos uma linha inicial de capital de giro. “Nem sabia o que era capital
de giro. Para mim, a única coisa que girava era bola”, lembra Castro, hoje
gestor de recursos na cooperativa.
Antes
de comprar das comunidades amazônicas, a Firmenich tinha um fornecedor em
Manaus para o óleo de copaíba. “Fazia um telefonema a cada seis meses e recebia
o óleo na minha fábrica em São Paulo. Pagávamos em 60 dias e podíamos devolver se
a qualidade não fosse adequada. Era muito mais fácil”, lembra André Tabanez, gerente
de projetos para ingredientes e de sustentabilidade da Firmenich.
O
problema é que, às vezes, o fornecedor simplesmente desaparecia. Isso ocorria quando
outras culturas, como a castanha, eram mais rentáveis do que a copaíba. Tabanez
também estava preocupado com a origem do produto comprado. “Enxergamos isso
com um risco. Podíamos, por exemplo, comprar sem saber um produto tirado em
áreas desmatadas.”
Comércio
justo: A companhia decidiu comprar óleo de copaíba e cumaru diretamente de produtores
amazônicos para fugir de incertezas relacionadas à venda dos produtos por atravessadores
e, ao mesmo tempo, garantir regularidade das entregas.“Isso não é filantropia. Fizemos
um modelo de comércio justo, que beneficia tanto a empresa quanto a
comunidade.”
O
primeiro desafio da Firmenich foi encontrar as comunidades que produziam o
produto. “Meu antigo fornecedor não dizia de quem comprava. Não tinha ideia de
como chegar a essas comunidades”, conta Tabanez. A solução foi recorrer às ONGs
para descobrir quem extrai copaíba e cumaru no Brasil.
Uma
das ONGs que ajudou a Firmenich na empreitada foi o Instituto de Manejo e
Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), coordenadora do projeto Florestas
de Valor, que tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável em três
regiões do
Pará. “Queremos desenvolver uma nova economia, que promova o comércio justo e sustentável
entre empresas e comunidades em área protegidas”, disse o gerente de projetos
do Imaflora, Roberto Palmieri.
O
Imaflora construiu um pacto comunitário, documento apresentado em dezembro em seminário
sobre Agroecologia e mercado ético na Amazônia, em Alter do Chão (PA). Esse
pacto estabelece regras para a negociação entre empresas e comunidades amazônicas,
como a igualdade de forças nas negociações e a prática de preço justo. “Esse modelo
pode ser replicado em toda a Amazônia. Hoje existem 65 mil famílias vivendo nas
unidades de conservação federais. As áreas protegidas também foram criadas para
o uso pelas comunidades locais”, disse Palmieri.
Para
a comunidade, o acordo trouxe uma compensação financeira. Antes, o atravessador
pagava R$ 10 por litro de copaíba na Terra do Meio, enquanto a Firmenich paga
R$ 27. Na região da Calha Norte, outra das seis comunidades amazônicas que vendem
para a multinacional suíça, a parceria também gerou aumento de renda. “O
copaibeiro vem do mato, entrega o óleo e sai com dinheiro para as compras da
casa”, diz Antonio Marcos Duarte Salgado, presidente da Associação dos
Moradores de Curuçá Mirim, na região da Calha Norte.
Tabanez
explica que, apesar do produtor ganhar mais, nem sempre a empresa paga valores maiores,
já que os atravessadores são eliminados. Mesmo com o adicional de preço, o
executivo entende que a garantia de entrega torna a parceira vantajosa.
Fonte:O
Estado de São Paulo
- A repórter viajou a convite do Imaflora


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