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Maura Campanili e Thaís Bueno

A abertura de dados por parte dos órgãos públicos
brasileiros, que tem avançado nos últimos anos graças a uma série de políticas,
leis e normas voltadas à transparência, está propiciando o surgimento de
diversas ferramentas voltadas a municiar a sociedade civil e o próprio governo
de informações que permitem acompanhar e analisar políticas públicas. Na área
ambiental isso se traduz no monitoramento de políticas ambientais e do uso do
solo como o Código Florestale o transporte de madeira, por exemplo, por diversas
instituições, como foi mostrado durante os painéis organizados pelo Instituto
de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) no II Encontro
Brasileiro de Governo Aberto, realizado entre os dias 28 e 29 de novembro, em
São Paulo.
“A partir do conceito de governo aberto, os órgãos
públicos geram e disponibilizam dados que, com o uso da tecnologia, podem ser
usados para prestação de contas, pesquisa, produzir informações e avaliação de
políticas públicas, que potencializam a interação entre sociedade civil e
governo”, diz Renato Morgado, coordenador de Políticas Públicas do Imaflora,
uma das nove organizações que realizaram o encontro[1].
Uma dessas ferramentas é a Plataforma de Transparência (www.idesam.org.br/transparencia),
criada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia
(Idesam) para monitorar os investimentos dos órgãos ambientais do Estado do
Amazonas. “Iniciamos esse trabalho em 2015, após a crise econômica no estado,
para compreender o orçamento das secretarias voltadas à área ambiental. Na
época, o Amazonas era considerado o segundo pior estado em relação à
transparência”, explica pesquisadora Fernanda Meirelles, do Idesam. A
ferramenta contextualiza as questões orçamentárias do estado, traz leis,
análises dos programas de governo, números, metodologias e vídeos educativos
sobre a questão. “A maneira como esses dados são apresentados pelo governo é
difícil de entender, nosso objetivo é facilitar o controle e a participação
pública”, completa.
Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da
Amazônia (IPAM), o aplicativo Termômetro do Código Florestal é uma ferramenta
do Observatório do Código Florestal – iniciativa que congrega mais de 25
organizações -, para acompanhar a implantação dessa legislação. Pode ser
baixado gratuitamente em celulares. “Além de informações sobre o que é o Código
Florestal e seus instrumentos, o Termômetro trabalha, por exemplo, com os dados
do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), que disponibiliza os
dados das propriedades rurais que estão no CAR”, diz Gabriela Savian,
consultora do Ipam. A ferramenta traz dados sobre o estágio de implementação do
Código Florestal por estado e por municípios, com rankings entre estados sobre
a implantação de instrumentos como CAR, Zoneamento Ecológico Econômico e
regulamentação do Programa de Regularização Ambiental (PRA), consolidando
informações e realizando análise de resultados.
O Ipam mantém, ainda, a plataforma Indicar Estados (http://indicar.org.br/) que, desde 2015, traz
indicadores de impacto de políticas públicas de prevenção e controle do
desmatamento, que compõem os Planos de Prevenção e Combate ao Desmatamento para
os estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso e Pará. Segundo a pesquisadora
Carolina Guyot, são 31 indicadores em quatro eixos (desmatamento, emissões e
degradação; monitoramento e controle ambiental; regularização fundiária e
ordenamento territorial; e fomento às atividades produtivas sustentáveis). “Com
as planilhas disponibilizadas, é possível inclusive fazer comparações entre os
estados”, conta. Guyot ressalta, porém, que ainda há desafios a serem
enfrentados na busca pela transparência de informações, já que os dados
federais nem sempre são atualizados e os estaduais às vezes não têm qualidade
ou são difíceis de acessar.
Dados
abertos
O pesquisador Vinícius Guidotti, do Imaflora, enfatiza
que, na área ambiental, além dos órgãos ambientais, é importante também a
abertura da base de universidades e órgãos de pesquisa. “O Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais, Inpe, já faz isso e outros estão começando a abrir, mas
ainda é difícil conseguir informações em algumas instituições”, diz. Segundo
Guidotti, foi justamente a partir de conversas com o pesquisador Gerd Sparovek,
do Laboratório
de Geoprocessamento (Geolab), do Departamento de Ciência do Solo da Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), que surgiu a ideia de
criar o Atlas Agropecuário (http://www.imaflora.org/atlasagropecuario/), plataforma do Imaflora onde vêm sendo
disponibilizados dados de pesquisas do professor e outros dados inéditos que
surgiram dessa parceria.
“Nessa parceria o professor
Gerd se dispôs a abrir suas bases de dados como, por exemplo, o mapa do uso do
solo utilizado para calcular os ativos e passivos do Código Florestal e a malha
fundiária brasileira, construída a partir da abertura da base do CAR. São dados
que ainda não são perfeitos, mas acreditamos que precisam ser liberados, pois o
tempo da pesquisa é muito diferente do tempo da política, onde as coisas
acontecem da noite pro dia”, diz Guidotti. Segundo o pesquisador, o Atlas está
colaborando para a implantação de políticas públicas. “O governo do Rio Grande
do Sul está usando para fazer o zoneamento ecológico econômico do Estado,
enquanto em São Paulo está sendo usado para destravar o Código Florestal”.
Para 2018, o projeto irá
focar em dados sobre aptidão agrícola e produtividade das principais culturas
do país, para analisar gargalos de produção e produtividade, relacionando os
resultados com a demanda nutricional da  população brasileira.

[1]
As demais foram: Agenda Pública, Artigo 19, Ceweb.BR, Colaboratório de
Desenvolvimento e Participação (Colab/USP), Ministério de Transparência e
Controladoria Geral da União, Nic.Br, Open Knowledge Brasil e Prefeitura do
Município de São Paulo – Controladoria Geral do Município e São Paulo Aberta.  


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