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IMAFLORA lança estudo que revela potencial de redução de emissão em propriedades de agricultura familiar na Amazônia

25/11/2020

Autor(a): Imaflora

Realizada pelo Imaflora, por meio do programa Florestas de Valor, pesquisa avaliou que sistemas silvopastoris e enriquecimento de agricultura orgânica podem reduzir emissão de gases de efeito estufa por hectare em cerca de 66%

Em busca de investigar as emissões e remoções de gases de efeito estufa (GEE) pela agricultura familiar, o Imaflora realizou um estudo para obter dados de propriedades de cacau e pecuária na Amazônia. O balanço foi feito em terrenos de agricultura familiar atendidos pelo programa Florestas de Valor, que conta com o apoio do Governo do Canadá, localizados no município de São Félix do Xingu, no Pará. Com uma melhoria das pastagens extensivas (degradadas) por meio da introdução de sistemas silvopastoris (10% da área inicial) e o enriquecimento do cacaueiro orgânico com árvores de sombra, foram identificadas taxas de sequestro de carbono no solo e na biomassa aérea que reduziram o balanço de emissão de GEE por hectare em 66,19% e em 28,17% por produto (unidade animal e amêndoas).

O estudo encontrou, como principais resultados, o potencial de reduzir aproximadamente 2,13 milhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2e) ao ano e aumentar a produção municipal de cacau em 50 vezes, caso o programa Florestas de Valor seja expandido para toda a área de agricultura familiar do município de São Félix do Xingu. Esses volumes de emissão e produção poderiam abater cerca de 1% das emissões de GEE totais ou 6% do setor agropecuário do Estado do Pará e, ao mesmo tempo, aumentar em quase 50% a produção de cacau do País sem precisar diminuir a produção pecuária.

Atualmente, o Pará é o maior emissor de GEE estadual do Brasil e São Félix do Xingu tem um dos maiores rebanhos bovinos do país, com 2,2 milhões de cabeças alocadas em 1,7 milhão de hectares de pastagens, as quais potencialmente se encontram sob algum estágio de degradação - uma vez que a lotação animal é de aproximadamente 1 unidade animal por hectare. De acordo com dados do IBGE, cerca de 18% dessa área de pastagem e 6% do rebanho encontram-se em propriedades da agricultura familiar.

"Nossa experiência na região está mostrando que investimentos em assistência técnica e suporte às organizações locais possibilitam importantes remoções de carbono e também uma série de outros benefícios como geração de renda e a conservação dos recursos naturais, como o solo, as florestas e a água", explica Eduardo Trevisan, gerente de projetos do Imaflora.

O sistema silvopastoril, mesmo implementado em apenas 10% da área total de pastagem, permitiu aumentar a lotação animal em 120%. Nesse sistema, é feita a combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área, com o objetivo de incrementar a produtividade por unidade de área e trazer benefícios econômicos e ambientais. Ele possibilita intensificar a produção pelo manejo integrado dos recursos naturais, evitando sua degradação, além de recuperar sua capacidade produtiva.

Desse modo, o estado do Pará e municípios como São Félix do Xingu possuem papel relevante para o cumprimento das metas climáticas nacionais e podem se beneficiar de políticas e ações que fomentam a melhoria da eficiência de sistemas produtivos agropecuários, especialmente os ligados à agricultura familiar.

Para ver o estudo na íntegra, clique aqui