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O que é ser um bom vizinho de propriedades
rurais? A resposta a essa pergunta não está em normas ou leis. No entanto, as
atividades de um empreendimento agrícola podem ter um impacto grande sobre a comunidade
na qual está inserido. E é importante conhece-las para que os seus efeitos
possam ser mitigados, ou evitados, com ações marcadas pelo diálogo e respeito à
comunidade. Além disso, é possível e desejável que os empreendimentos rurais
gerem impactos positivos para os seus públicos internos e seus vizinhos.
Essa boa relação é um dos requisitos da
certificação socioambiental da Rede de Agricultura Sustentável, no entanto,
desperta muitas dúvidas quanto a sua execução na prática, por parte dos
produtores rurais. 
Pensando em atender essa demanda, mas com a
intenção de ampliar seu uso, o IMAFLORA elaborou o “Guia do Bom Vizinho para
propriedades rurais”, que pode ser baixado livremente aqui
Para a socióloga Heidi Buzato, responsável
técnica pelos temas sociais, no IMAFLORA, “é importante o empreendimento conhecer
e mapear os valores e patrimônios culturais da comunidade na qual está inserido,
e procurar saber como pode contribuir com a sua conservação. É importante
também que a comunidade saiba como pode contar com o apoio daquela propriedade”.
O Guia - Cada uma das
expectativas citadas está descrita nos quatro capítulos da publicação: 
“Identificando a comunidade”, traz critérios
para identificar como a atividade produtiva do empreendimento pode impactar o
seu entorno. O uso de estruturas públicas, como escolas ou equipamentos de
saúde, é um exemplo.
O segundo capítulo, “Classificando os interesses”
sugere conhecer as questões que a comunidade possui em relação ao
empreendimento e estar atento a possíveis conflitos ou reclamações sobre as
atividades do empreendimento.  Por
exemplo, uma reclamação de um vizinho sobre uma cerca danificada pelo trator durante
a atividade deve ser registrada pela propriedade e tomada a providência para
seu conserto.
“Mapeando
os impactos”, explica o conceito de impacto social como sendo uma mudança no modo
de vida de uma pessoa, comunidade ou população e suas consequências. Orienta a propriedade
agrícola àevita-los ou propor ações
mitigadoras. 
Finalmente, o último capítulo, “Implantando
ações do bom vizinho” propõe que se não forem identificados impactos negativos
que mereçam medidas corretivas, o empreendimento invista em ações que promovam
o desenvolvimento local.  Entre outras
ações possíveis, estão a contratação de mão de obra da região, conhecer locais
de uso da comunidade (igrejas, cemitérios, rios, entre outros) e desenvolver
ações que ajudem a conservá-los. 
Esse capítulo contém ainda
informações específicas para grupo de produtores. 
“O Guia não é uma receita do que está certo
ou errado”, diz Heidi, que ressalta tratar de orientação aos produtores rurais,
para que possam estabelecer um bom relacionamento com as comunidades que vivem
no entorno das propriedades. Esse relacionamento deve ser pautado pelo diálogo
e respeito pelo seu modo de vida,  e pela
responsabilidade compartilhada pelo uso e conservação dos recursos naturais e
culturais de cada localidade”, conclui.


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