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O relatório analítico sobre as emissões de gases de
efeito estufa (GEE) na agropecuária brasileira chama a atenção para a
contribuição do setor no total das emissões brasileiras (23%) e, ao mesmo
tempo, para o grande potencial de redução dessas emissões (50%) a partir da
implementação de medidas orientadas para uma economia de baixa emissão de
carbono e sem novos desmatamentos.
Com base nos dados atualizados do SEEG (Sistema de
Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa), do OC, a agropecuária
responde diretamente por 23% das emissões brasileiras totais. Nesse segmento, a
pecuária de corte é a atividade que mais emite GEE (64%), seguida pela leiteira
(12%) e pela aplicação de fertilizantes nitrogenados sintéticos (8%).
De acordo com a análise do Observatório do Clima, as
metas anunciadas pelo Brasil em Paris são factíveis e coerentes para reduzir as
emissões do setor, já que preveem a recuperação de extensas áreas de pastagens
degradadas e a expansão de sistemas integrados com agricultura-pecuária-floresta,
práticas capazes de sequestrar grandes quantidades de carbono. Por outro lado,
politicas públicas para levar ao campo essas práticas e mecanismos de
monitoramento para contabilizar seus benefícios ainda devem ser ajustadas. Os
recursos do Plano ABC, por exemplo, que é a principal estratégia para reduzir
as emissões da agropecuária, correspondem a menos de 2% de todo recurso
disponibilizado pelo Plano Safra de 2015/16. Além disso, as emissões por solos
agrícolas em degradação (cerca de 60 milhões de hectares) ou o sequestro de
carbono em áreas recuperadas ainda não são monitorados.
“O que os estudos têm mostrado é que as emissões do setor
podem cair pela metade até 2030, com aumento da produção e mais ganhos para o
produtor”, diz Marina Piatto, coordenadora da área de Clima e Cadeias
Agropecuária do Imaflora. Ela é coautora do relatório, juntamente com Ciniro
Costa Júnior, também do Imaflora. “Com isso, a agropecuária poderia deixar de
ser uma parte importante do problema e passaria a ser parte da solução,
exercendo um papel decisivo para que o Brasil atinja as metas apresentadas na
COP21, em Paris”, continua.
Para isso, recomenda-se a seguinte estratégia:
a) Desmatamento
zero em todos os biomas; b) Uso de
áreas degradadas para expandir sistemas agrícolas de produção;c) Ampliação
do acesso à tecnologia e assistência técnica a todos os produtores rurais ;d) Aumento
dos recursos do Plano Safra dirigidos para o financiamento de práticas
agrícolas de baixas emissões de carbono.e) Monitoramento
de toda agropecuária brasileira, identificando onde estão sendo implementadas
as técnicas de baixas emissões.
Essas recomendações aparecem também no trabalho elaborado
pelo Observatório do Clima e enviado ao Ministério do Meio Ambiente como
contribuição da sociedade civil para a INDC brasileira.
Baixe aqui o relatório analítico do SEEG sobre emissões
da agropecuária



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