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Qual o papel da madeira na arquitetura contemporânea?

04/03/2021

Autor(a): Imaflora

Imaflora lança evento para debater necessidades, perspectivas e oportunidades que a sustentabilidade pode trazer para a arquitetura e para os negócios

Debater para poder resgatar e valorizar o uso da madeira na arquitetura e na construção civil. Este será o mote do evento virtual “Arquitetura do amanhã: projetando negócios sustentáveis” que será realizado no dia 11 de março, pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), com o Núcleo da Madeira e a AMATA. O encontro, que será gratuito, busca provocar o setor para o importante papel que tem na sociedade para minimizar o impacto ambiental, mostrando como suas escolhas ou indicações, que acontecem no dia-a-dia, podem fazer a diferença. A iniciativa faz parte de uma campanha maior que tem como objetivo, também, pavimentar um caminho para o diálogo entre os diversos atores da cadeia madeireira, além de estimular a troca de experiências e a transparência sobre a origem da matéria-prima.

Baseado na cidade de Piracicaba, desde 1995, o Imaflora é uma instituição sem fins lucrativos que tem como premissa a conservação das florestas tropicais brasileiras. A organização incentiva a boa prática do manejo florestal ao apostar na certificação socioambiental – como recurso de fomento à atividade produtiva– além de incentivar a implementação de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável combinado à gestão responsável dos recursos finitos da natureza.

Vantagens do uso da madeira

É possível elencar muitas vantagens no uso da madeira em construções, que passam pela logística – elas exigem apenas o transporte e a montagem no local da obra –, bem como pela redução em até 60% de tempo para a execução de um projeto que conte com estruturas pré-fabricadas, até chegar ao impacto ambiental positivo do uso do insumo renovável, resistente e reaproveitável. Em sua tese “A experimentação construtiva em madeira como instrumento de ensino-aprendizagem nas escolas de arquitetura”, a arquiteta e pesquisadora Mônica Duarte Aprilanti do Núcleo da Madeira, organização apoiadora da campanha, ao lado da AMATA, cita as benesses do manejo florestal sustentável e o uso diversificado e eficiente da madeira, como modelos para o bom uso da terra e para a política de recursos confiável e durável no longo prazo.

Segundo Leonardo Sobral, gerente de certificação florestal do Imaflora, a indústria da construção civil em madeira deve ser vista como uma oportunidade para novos negócios, incentivo às práticas sustentáveis, à qualificação e à transparência. “Com o evento queremos levar ao público, a discussão e o conhecimento sobre a origem dos produtos que são consumidos pela construção civil, em especial, a madeira. E destacar como é importante olhar para essa cadeia de suprimentos, entender sua origem assim como as técnicas construtivas que avançam no setor. A madeira de reflorestamento, por exemplo, é oriunda de árvores plantadas com pegada positiva em relação ao carbono, reduzindo  consideravelmente o impacto em comparação aos materiais como o concreto e aço”, destaca.

Confirmado na mediação do primeiro painel do evento, o engenheiro civil e presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) Olavo Kucker Arantes acredita que o país progrediu timidamente na prática sustentável, analisando o período de 1990 para cá. E, que, apesar do crescimento dos projetos com foco em sustentabilidade no país, o volume ainda é insignificante em comparação ao número de edificações erguidas anualmente.

“O evento é de extrema importância para criar e fortalecer o futuro da cadeia da construção civil. Caminhamos muito pouco no âmbito das ideias, mesmo com os grandes esforços de grupos que sentem e entendem o problema a fundo. Esses esforços ocorrem nas iniciativas públicas e privadas. Vários órgãos do Governo Federal têm desenvolvido iniciativas públicas bem interessantes ao longo dos anos, porém de pouco efeito prático nas edificações. Muitas empresas têm levado a sério o processo de classificar os fornecedores que sejam idôneos e comprometidos com a origem dos seus produtos, por outro lado temos uma infinidade que cumpre. Precisamos agir, pois os recursos são finitos e nossa população cresce em maior velocidade. Necessitamos otimizar o ambiente construído para que o espaço do ambiente natural que tanto precisamos seja preservado”, pontua.

As inscrições para o evento “Arquitetura do amanhã: projetando negócios sustentáveis” são gratuitas e podem ser feitas aqui