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Dados do Anuário Trase 2018*, divulgados no Brasil,
aumentam a compreensão das conexões entre a produção de soja e os riscos do
desmatamento e mostra como produtores, empresas e mercados consumidores podem
usar essa oportunidade para criar uma economia livre de desmatamento. Os dados
apontam que a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) corre o
maior risco de desmatamento devido ao avanço da soja para exportação.  Dados do Atlas Agropecuário, desenvolvido
pelo Imaflora, Geolab/ESALQ (projeto Fapesp) e KTH (Suécia), estimam que entre
2001 e 2017, a soja expandiu em 310% apenas no Matopiba, sendo que 65% da
expansão no Matopiba se fez diretamente sobre vegetação nativa, ao contrário do
restante das áreas de Cerrado onde a soja expandiu sobretudo em pastagens
(70%).

A maioria das empresas (80%) com o maior risco de
desmatamento por tonelada em todo o Brasil obtêm volumes significativos de soja
oriundos desta região. Somente no Cerrado estima-se que 60% da soja foi
plantada em propriedades que haviam excedido os limites legais para conversão e
portanto não estão em conformidade com o novo Código Florestal.
“A cadeia de produção de soja como um todo, leva consigo
parte desta responsabilidade de desenvolver formas mais sustentáveis de
produção. Trase apresenta os fluxos de origem e destino desta produção,
destacando virtudes e mazelas e sinalizando quais os caminhos para que os
múltiplos atores desta cadeia de produção possam, juntos, definir e ampliar
formas de consumo mais responsáveis e de produção agrícola mais sustentáveis”,
explica Arnaldo Carneiro Filho, um dos pesquisadores envolvidos no
desenvolvimento e disseminação da plataforma Trase.
Cerca de 60% das exportações brasileiras de soja em 2016
foram para a China, levando consigo metade do risco de desmatamento associado
às exportações de soja. Apesar de muitos países europeus importarem quantidades
muito inferiores às da China, os dados do anuário mostram que eles geralmente
se originam em áreas de maior risco, resultando em maior impactos por tonelada
de soja importada.
Apenas seis grandes empresas (Bunge, Cargill, ADM, Louis
Dreyfus, COFCO e Amaggi) foram responsáveis por 57% das exportações de soja do
Brasil em 2016. Estas empresas realizam investimentos em infraestrutura (silos,
armazéns, ferrovias e terminais portuários) que ajudam a explicar os padrões de
fornecimento dos principais comercializadores e sustentam fortes conexões com
regiões específicas de produção.  Os
compradores de soja destas seis empresas podem estar associadas a pelo menos
dois terços do risco total de desmatamento associado à expansão da soja
observados na última década. Os dados da plataforma mostram que em um ano
típico essas empresas são os únicos compradores para mais de 100 municípios -
ressaltando o papel fundamental que desempenham na formação da sustentabilidade
futura da soja.
“A desnecessária conversão de novas áreas de Cerrado como
justificativa para a expansão da agricultura no Brasil não tem base econômica e
se adequa aos compromissos de redução do desmatamento assumidos pelo país.
Otimizar o uso do solo num sentido mais amplo, pode reduzir sobremaneira os impactos
socioambientais oriundos da produção da soja. Considerando a expectativa da
expansão da demanda chinesa, é vital promover novas iniciativas de
sustentabilidade e parcerias nos países importadores, particularmente na
China.”, sugere Arnaldo.
Projeções do governo sobre a produção de soja no Brasil
indicam que cerca de 10 milhões de hectares de terra podem ser convertidos em
soja na próxima década. Alguns governos, empresas e investidores assumiram
compromissos ambiciosos para desenvolver cadeias de produção livres de
desmatamento – algumas já em 2020.  Os
dados da Trase mostram que, durante a última década, empresas de soja que operam no mercado brasileiro
independente de terem assumido compromissos com o desmatamento zero, estiveram
expostas a semelhantes riscos de desmatamento.
“Os compromissos pelo desmatamento zero oferecem uma
oportunidade crítica para mudanças positivas. A análise contida neste Anuário
permite que empresas, governos e sociedade civil tenham acesso a informações
para monitorar o impacto local dos compromissos e ajudar a identificar maneiras
para o seu fortalecimento”, avalia Simone Bauch, Diretora da América Latina,
Global Canopy.
*Trase é uma plataforma de informações independente,
imparcial e baseada em dados científicos, desenvolvida para apoiar a tomada de
decisões na transição para uma economia livre do desmatamento. A plataforma
agrupa e analisa conjuntos de informação sobre produção, comércio e
movimentação aduaneira. Para mais informações, acesse plataforma Trase.





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