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Serviços geoespaciais podem apoiar a gestão ambiental inteligente na Amazônia brasileira

22/04/2021

Autor(a): Imaflora

O Imaflora, como parceiro de implementação do SERVIR-Amazônia, desenvolve iniciativas que utilizam os serviços geoespaciais para contribuir com a conservação ambiental nos territórios

Hoje, 22 de abril, o mundo celebra o Dia da Terra. E, para marcar a data cuja finalidade é criar uma consciência comum sobre a importância da conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra, lembramos que os dados geoespeciais climáticos são essenciais para as tomadas de decisões ligadas ao clima e ao meio ambiente, como, por exemplo, a gestão da água e do ecossistema, iniciativas para mitigar os impactos de possíveis desastres naturais, a segurança alimentar, o fornecimento e gestão de energia e questões de planejamento do uso da terra.

De acordo com essa abordagem, o SERVIR-Amazônia[1], cujo parceiro de implementação no Brasil é o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), está reunindo diversas instituições brasileiras para identificar problemas de desenvolvimento local e apontar soluções na forma de ferramentas, conjuntos de dados, recursos de treinamento e atividades de capacitação que utilizam dados de satélite, ciências da Terra e tecnologias geoespaciais.

Primeiras parcerias para a projeção de soluções inteligentes para o clima

Atualmente em seu terceiro ano de implementação, SERVIR-Amazônia já se envolveu com mais de 30 instituições e organizações brasileiras, entre representantes de governos, universidades, ONGs, grupos comunitários e cientistas dos EUA, com o objetivo final de melhorar a capacidade local de utilizar dados de satélite e informações geoespaciais para promover a gestão sustentável de recursos naturais.

Como exemplos dessas parcerias, destaca-se a formalização recente da colaboração com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente - SEMA-Acre e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa.

A colaboração com a SEMA-Acre visa reduzir os impactos ambientais, econômicos e sociais de questões sensíveis ao clima relacionadas a incêndios e secas, bem como às mudanças no uso do solo no Estado que possam afetar os serviços ecossistêmicos e a biodiversidade. No pico da temporada de incêndios em agosto de 2020, o Acre teve até 1.300 focos de incêndio associados ao desmatamento. Estima-se que o Acre também perdeu mais de 84 mil hectares de cobertura florestal em 2019. Isso contribuiu para uma média anual de 35,9 milhões de toneladas de CO2 lançadas na atmosfera devido ao desmatamento e às queimadas (Fonte: SEMA-Acre).

O uso de novas tecnologias, como o Collect Earth Online (CEO), vai aumentar a capacidade do Estado de estimar áreas de desmatamento e degradação. O CEO fornece uma plataforma fácil de usar para classificação visual, estimativa de área e avaliação de precisão para o uso da terra e mapeamento e estatísticas de mudanças na cobertura da terra. O CEO agora inclui os mosaicos mensais de altíssima resolução dos trópicos do mundo fornecidos pela Iniciativa Internacional de Clima e Florestas da Noruega (NICFI – sigla em inglês) que proporcionará maior capacidade para o estado do Acre detectar perda de cobertura florestal e mudança em alta cadência para a redução de emissão por desmatamento e degradação florestal.

No caso da Embrapa, a colaboração terá como foco a Modelagem de Serviços Ecossistêmicos Agroflorestais da Amazônia no estado do Pará: Este serviço fornece mapas precisos para as partes interessadas e tomadores de decisão entenderem os cenários políticos e econômicos que influenciam os sistemas de produção agrícola para o desmatamento, principalmente devido à produção de óleo de palma e cacau. O uso de imagens de satélite e sensores ativos, juntamente com a validação de campo, revelará padrões de cobertura da terra e levará à geração de mapas de plantação precisos de cacau, palma, açaí e frutas cítricas, para permitir que as partes interessadas entendam a expansão da cultura em áreas desmatadas em diferentes regiões do Pará.

O estado é um dos maiores produtores de cacau, óleo de palma e açaí do Brasil. Em 2019, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o estado produziu 2 milhões 543 mil toneladas de cachos de dendê, 129 mil toneladas de cacau em grão e 1 milhão e 400 mil toneladas de açaí. Em relação à produção nacional, o estado é responsável por 98% do óleo de palma, 49% do cacau e 95% do açaí produzidos no país.

Além dessas parcerias, há outros serviços geoespaciais que abordam a mitigação das mudanças climáticas e estão em desenvolvimento no Brasil com o apoio do Imaflora.  Conheça:

TerraOnTrack (Proteção de Florestas gerenciadas por iniciativas comunitárias na Amazônia Brasileira): O serviço consiste em um aplicativo da web que contribuirá para iniciativas comunitárias ao introduzir recursos que permitirão que comunidades tradicionais e povos indígenas identifiquem rapidamente ameaças potenciais aos seus territórios e monitorar as atividades ilegais, o que por sua vez aumentará a proteção florestal e a capacidade de gestão territorial.

Quantificar os efeitos das mudanças florestais no provisionamento e regulamentação dos serviços ecossistêmicos. O serviço permite tomadores de decisão regionais e locais, bem como cidadãos do Acre e Ucayali (incluindo as comunidades indígenas e tradicionais das bacias hidrográficas de Sierra del Divisor, Yurua e Purus) entendam melhor as compensações entre atividades de desenvolvimento e serviços ecossistêmicos .

TerraBio (Monitoramento da dinâmica da floresta do espaço para permitir meios de vida sustentáveis ​​e conservação da biodiversidade na Amazônia). O serviço apresenta uma ferramenta de monitoramento para avaliar o impacto do envolvimento do setor privado na conservação da biodiversidade na Amazônia, caracterizando a dinâmica da floresta e do habitat.


[1] Braço do SERVIR Global, uma iniciativa conjunta de desenvolvimento da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) dos Estados Unidos e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID)