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As empresas que apostam na
certificação florestal como diferencial estratégico têm de lidar com dois
oponentes de peso: o pequeno grau de conscientização do mercado doméstico para
a madeira de origem sustentável e a concorrência da madeira extraída de forma
ilegal. Segundo estimativas dos próprios produtores, a oferta de madeira
certificada pelo selo FSC, o mais conhecido selo verde para produtos de origem
florestal, não chega a 2% do mercado.
"A oferta de madeira
tropical certificada é pequena no Brasil. E isso ocorre porque 95% do mercado
opera em graus diferentes de legalidade, o que é uma concorrência
desleal", diz Luciano Schaaf, coordenador de planejamento e tecnologia da
Amata, empresa que opera uma área de concessão de 50 mil hectares em Rondônia. Os
"graus diferentes de legalidade" a que Schaaf se refere referem-se
desde a madeira produzida de forma ilegal, em áreas onde não é permitido
desmatar, até as toras que têm sua documentação "esquentada" em
esquemas fraudulentos. Para ele, faltam políticas públicas que garantam a
rastreabilidade da madeira produzida na Amazônia e que incentivem a compra de
origem certificada. "As empresas que atuam na falsa legalidade tem custos
até 50% menores do que uma empresa que passou pelos processos de licitação e
certificação."
Ainda falta no mercado
brasileiro a cultura de pagar um preço prêmio pela madeira produzida dentro de
padrões socioambientais. Nos países europeus, a madeira com selo FSC chega a
ser vendida por até 20% a mais do que a madeira sem garantia de origem.
Ricardo Tamanho, diretor de
operações da LN Guerra, que atua em uma floresta pública no Pará, concorda.
"Temos um custo de operação elevado, que inclui uma estrutura de 1,4 mil
metros quadrados no meio da floresta, um corpo técnico especializado, custos
trabalhistas. O ilegal não tem esses custos, por isso vende a madeira mais
barata", diz Tamanho.
Além das ações de
fiscalização ao desmatamento ilegal, uma das soluções para estimular o mercado
doméstico para a madeira certificada é inserir isso como requisito para compras
públicas. Algumas iniciativas voluntárias começam a aparecer, como o programa
"Madeira é Legal", um pacto voluntário assinado em 2009 entre a
Prefeitura de São Paulo, o governo do Estado e empresas de construção civil
para estimular as compras de madeira de origem legal. Para Leonardo Sobral,
gerente de certificação do Imaflora, é preciso estimular a compra de madeira
certificada para evitar que a mercadoria ilegal passe por legal. "A
certificação fornece ao comprador uma segurança institucional maior, em razão
das inúmeras auditorias que são feitas no empreendimento." (AV)
Fonte: Valor Econômico
 

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