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Anos
90: no cenário internacional o debate sobre o destino das florestas tropicais
era intenso e a sociedade civil 
organizava –se  em torno de
diferentes propostas para defendê-las. No Brasil, essa discussão avançava e a Conferência
das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, a ECO 92, que aconteceu no Rio de
Janeiro, acrescentou ao tema a perspectiva da sustentabilidade, apoiada nos
pilares social, ambiental e econômico.
A
percepção de que a conservação  da Amazônia e de outros grandes maciços
verdes se daria por meio de sua inserção na economia florestal, baseada no
princípio do bom manejo, reunia estudiosos e Organizações Não Governamentais de
várias partes do mundo. Foi em torno dessa ideia que, em 1993,  nasceu o Forest Stewardship Council®,
o FSC, no Canadá.
No
Brasil,o  indigenista André Vilas Boas e os engenheiros florestais
Virgílio Viana e Tasso Azevedo,  na época, pela ordem, professor e
estudante, na Escola Superior Luiz de Queiroz, já estavam envolvidos nesse
debate até a alma. E, além do bom manejo, alertavam para a importância de
 combinar agricultura e conservação, tema também de grande relevância nos
debates atuais.
Estavam
lançadas as sementes do que viria a ser o Instituto de Manejo e Certificação
Florestal e Agrícola, o IMAFLORA. O percurso entre a garagem da Rua Carlos de
Campos, no Bairro Alto, onde funcionou em seu início,  e a sede
própria,  na estrada Chico Mendes, sempre  em Piracicaba, passa por
desafios, inovações, análises, discussões  e uma imensa disposição 
para contribuir  com um mundo melhor e mais justo. 
O
atual  secretário executivo, Maurício Voivodic,  analisa esse período
e os novos desafios do cenário socioambiental.
Ao olhar
para a trajetória do IMAFLORA nesses 20 anos, qual a sua avaliação, qual é o
sentimento que vem à tona?
Na área
em que o IMAFLORA atua, na busca por um mundo melhor, o sentimento é misto: é
 o  de termos avançado bastante, mas o de ainda ter muito pela frente.
 Há um forte sentimento de realização por várias e importantes conquistas
no meio socioambiental, mas também há a percepção de estarmos apenas no começo
de uma longa jornada. Tivemos várias conquistas nesses 20 anos: a certificação
FSC consolidou-se no Brasil e no mundo. A certificação agrícola da Rede de
Agricultura Sustentável cresceu bastante nos últimos anos, e hoje é a opção de
milhares de produtores e empresas de alimentos em diversos países. O mundo
mudou e contribuímos para isso. Mas novos desafios surgiram, alguns ainda
maiores e mais complexos e, portanto, ainda temos muito trabalho pela frente.
É
possível identificar contribuições do IMAFLORA para as mudanças a que se
refere?
Pela
linha do tempo que está em nosso site é possível perceber a diversidade de nossas
ações ao longo desses 20 anos. Seria difícil ou injusto escolher. No entanto,
vejo uma contribuição clara do IMAFLORA na discussão sobre a importância de
aliar a conservação dos recursos naturais à produção. Hoje isso é inquestionável,
a sociedade não tem dúvidas quanto à  isso, mas havia grande resistência
há 20 anos. Os empresários acreditavam que incorporar critérios de
sustentabilidade inviabilizaria o negócio. Por isso, o reconhecimento que
existe atualmente é um grande avanço. O difícil agora é implementar esses
critérios  em grande escala e não apenas em alguns nichos ou em práticas
pontuais.
Você apontaria
esse ganho de escala como um dos grandes desafios da agenda ambiental para os
próximos anos?
Sim, é um
enorme  desafio
incorporar os aspectos da produção sustentável nas grandes cadeias produtivas
globais. Especialmente nas de maior impacto social e ambiental.  As 
commodities agrícolas, a produção de madeira na Amazônia e de carvão vegetal
são algumas delas, para ficar em exemplos em áreas  nas  quais o
IMAFLORA trabalha. Outra questão fundamental é a da rastreabilidade plena de
tudo o que consumimos. As cadeias produtivas se expandiram e tornaram-se muito
complexas, ficou mais difícil conhecer a origem e acompanhar o caminho
percorrido por um produto. Por várias razões, não é mais aceitável
 desconhecer a origem  de uma mercadoria , ou seus impactos ao longo
da cadeia produtiva. Em tempos de acesso pleno à informação e transparência,
impulsionados pela internet e  outros meios de comunicação, este é um tema
que precisa ser resolvido rapidamente e, com isso, ninguém mais poderá
 isentar-se da   responsabilidade  sobre de onde veio o
produto que comprou.
Há outros
pontos mais que você destacaria?
A
necessidade de “limpar” as cadeias produtivas já é um desafio enorme. Isso
pensado em um cenário que combina aumento expressivo da população mundial,
escassez de  recursos naturais e mais a crise climática é um desafio
gigantesco. A possibilidade de eventos climáticos extremos torna o quadro muito
mais imprevisível. Outra questão fundamental é garantir meios para que as
populações que vivem na floresta, como os povos indígenas e as comunidades
extrativistas, tenham boa qualidade de vida e acesso a bons serviços de saúde e
de educação. Esses povos são historicamente responsáveis pela proteção de
milhões de hectares de floresta em todo o Brasil e, em especial, na Amazônia.
Este é um serviço de imenso valor para a sociedade, pois ajuda a regular o
clima, a produção de água e a provisão dos produtos da biodiversidade que
utilizamos diariamente. O modo de vida destas populações, e seus territórios,
encontram-se hoje ameaçados e este é um grande desafio que precisamos enfrentar.
Você
enxerga uma saída? Qual seria a proposta?
As
soluções aparecem quando os diversos atores da sociedade somam esforços em
torno de objetivos comuns que trazem ganhos para ambas as partes. Proteger as
florestas na Amazônia, por exemplo, ou proteger as nascentes e os rios em uma
propriedade rural no Paraná, é bom para todos: para os produtores, os
consumidores, as empresas, o governo e a população em geral. E a
responsabilidade também deve ser compartilhada entre todos, cada um tem um
papel a cumprir na busca pela sustentabilidade. Não dá mais para achar que essa
é uma atribuição apenas do governo. Algumas empresas já estão mostrando que,
quando assumem compromissos ao longo de suas cadeias produtivas, de forma
independente ou em parceria com os governos, geram uma onda de impactos
positivos, que vão além da geração de lucro aos acionistas – mas que também
contribuem muito para isso.  No IMAFLORA temos assumido, cada vez mais, o
papel de facilitador das relações entre os diversos atores envolvidos nas
cadeias de valor de produtos florestais e agrícolas. Desta forma já observamos
casos de grande sucesso, que geraram benefícios sociais, ambientais e
econômicos para os produtores rurais e as comunidades tradicionais, assim como
para as empresas envolvidas. Agora, queremos ampliar o uso desta receita para
causar ainda mais impacto e estamos sempre abertos para construir novas
parcerias que sigam nesta direção. 
Houve
mudança no perfil da Instituição? Como os novos desafios foram incorporados à missão
do IMAFLORA?
É
importante dizer que a identidade institucional se mantém a mesma desde que a
gente começou. A motivação da existência do IMAFLORA, a visão de mundo, os
valores, estão mantidos. O que mudou foi a busca de uma implementação de
práticas em escala maior, porque no início o foco do IMAFLORA era muito voltado
para programas piloto, que pudessem ser usados para demonstrar que os
resultados que buscávamos eram possíveis.  Atualmente o 
IMAFLORA  opera para gerar soluções que permitam a incorporação da
sustentabilidade em grande escala.  Acho que essa é a principal mudança. E
essa trajetória só foi possível porque temos um Conselho muito atuante, muito
comprometido e que acompanha de perto os direcionamentos da organização, além
de uma equipe motivada, jovem e inovadora. E este perfil tem se mantido ao
longo dos anos, o que é incrível. Somos um grupo inconformado, que quer
transformar o mundo e que abraça a causa como ideal individual de vida. Acho
que a combinação Conselho forte e Equipe ousada e motivada foi o segredo para
essa história de sucesso.  



Imaflora

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