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• Texto
adptado de: Iván Ulchur-Rota• Tradução: Martinelli translations• Postado
em: 30 de Novembro de 2016
Ciunapa Kayaba é um indígena, da etnia Kawaiweté, um dos
muitos grupos indígenas que habitam o território do Xingu, ao sul da Amazônia
brasileira. Também é um dos produtores do mel dos Índios do Xingu, extraído da
mesma região.  Aprendi isso dando uma
olhada no site de Origens Brasil®, uma iniciativa que busca utilizar tecnologia
de ponta para conectar compradores com produtores de regiões como o Parque
Indígena do Xingu. A proposta é ir além da certificação como a conhecemos: um
selo único que mostra o trabalho e o modo de vida por trás de cada produto. Quando
encontrei o mel aprendi que este, em particular, começou como marca própria dos
indígenas em 2001, que foi o primeiro produto indígena no Brasil a receber um
certificado de inspeção federal, e que seu sabor floral marcante depende da
preservação de seu ambiente natural. Acima de tudo: vi o que está acontecendo
em seu local de origem. 
O território do Xingu no Brasil, situado ao longo do Rio
Xingu na Amazônia, é icônico. Expande-se por 26 milhões de hectares e está
habitado por 17.000 indígenas de grande diversidade linguística. Desde 1975,
tribos do território norte do Xingu lutaram contra a construção da represa de
Belo Monte, um muro enorme de pedra, aço e concreto, segundo o jornal inglês
The Guardian. Agora, a barragem de cinco quilômetros de largura fecha a parte
norte do rio Xingu, enquanto a extração ilegal de árvores e a mineração
continuam ameaçando a cultura e o modo de vida de muitas comunidades ao sul da
barragem. Contudo, estas comunidades estão se organizando e resistindo: a
frondosa biodiversidade destes territórios lhes permite subsistir através da
coleta e comercialização de produtos obtidos da floresta de forma sustentável.
Um desafio enorme: que os compradores entendam o valor destes produtos para a
conservação da floresta. Nada fácil, verdade. Mas, é possível?
As histórias por trás destes produtos são, com
frequência, ignoradas. Por isso, para Patricia Cota Gomes “o mercado brasileiro
ainda não reconhece os valores associados a esse tipo de produto”. Patricia
coordena a iniciativa no Imaflora, uma ONG brasileira sem fins lucrativos que
promove transformações socioambientais nos setores florestais e agrícolas. Pelo
Skype, Patricia fala emocionada e inspirada sobre o Origens Brasil®. 
“Pense-o
como uma ferramenta para assegurar a transparência destas cadeias de valor”,
disse-me enquanto me apresentava o conceito do Origens Brasil® em tela
compartilhada. “Não fornece apenas informação sobre cada produto e seu povo. É
também uma ferramenta tecnológica de rastreio e monitoramento de impacto.” O
design é em geral didático e explicativo. Uma imagem de satélite junto de cada
produto mostra a área de onde provém cada produto – suas origens. A Castanha do
Brasil, por exemplo, é extraída do nordeste do território indígena Kayapo.
Indicadores no mapa mostram a localização dos produtores, e neste caso, há
muito verde ao redor destas áreas. Abaixo da foto de Nhakangroti Kayapó, um dos
produtores, a frase: “Nhakangroti Kayapó integrante do Origens Brasil® que
ajuda a proteger a diversidade do Xingu com seu trabalho”.
Esta nova iniciativa poderá ser transformada em uma
alternativa viável para as certificações como as conhecemos: certificar através
da promoção das histórias de cada comunidade, de cada povo, agregando valor a
seu trabalho e produtos enquanto é gerada ao mesmo tempo informação diretamente
útil para eles. Origens Brasil® permite que todos – compradores,
distribuidores, produtores– possam seguir o fluxo da cadeia de fornecimento.
Segundo Patricia foi um processo lento de construção.
“Levou mais de três anos”, disse. A plataforma é o resultado de um engajamento
dos atores e de uma consulta geral que foi feita com todos os envolvidos na
cadeia de fornecimento, incluindo organizações locais e comunidades indígenas
tradicionais. Como explica Patricia, enquanto a Imaflora operava os aspectos
administrativos, a essência da iniciativa era mantida através das reuniões
periódicas dos comitês locais, formado pelas populações de dentro do território
do Xingu e também pelo comitê das empresas que fazem parte da iniciativa,
interessadas em mecanismos de rastreabilidade e avaliação de impacto mais
efetivo para sua cadeia de fornecimento.
“O que você supõe que fazem os selos, depois de tudo
isso?” pergunta Patricia ao terminar a conversa. “Garantem certos padrões de
performance como, por exemplo, se a extração de um produto tem maior ou menor
impacto no meio ambiente”. Mas com frequência os requerimentos destes selos são
pouco adaptáveis à realidade de muitas populações tradicionais que vivem na
floresta. Para Origens Brasil®, isto é diferente: para que um produtor seja
qualificado para fazer parte, ele deve viver em uma área protegida de alta
biodiversidade e deve ter uma cadeia de fornecimento operacional que conserve a
floresta.
A plataforma do Origens Brasil® recebe, processa e
disponibiliza informações sobre a produção e comercialização em tempo real.
Esta iniciativa é um esforço importante para mostrar à sociedade, a história
das populações que está por trás de cada produto.

Veja mais aqui



Além da certificação: Origens Brasil® mostra a história por trás de cada produto
Imaflora

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