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Eduardo
Trevisan Gonçalves
Recentemente,
observamos várias iniciativas que visam garantir a origem dos produtos que são
oferecidos aos consumidores. Mas uma análise mais apurada nos força a pensar o
que realmente está sendo rastreado.
Não
deveria ser orgulho para ninguém garantir que a carne ou o café venha de uma
área sem desmatamento ilegal, livre de trabalho escravo ou ainda garantir que,
naquela área específica, somente foram aplicados os agrotóxicos permitidos.
Isso tudo é obrigação. Está na lei.
Talvez
nós, os consumidores, estejamos muito acomodados, já que chegamos ao ponto de
valorizar iniciativas e mercadorias somente por atestarem que, em seu processo
produtivo, respeitaram as leis do país ou, às vezes, por até menos que isso:
somente por terem sinalizado a intenção de virem a cumpri-las um dia.
A
agropecuária está contaminada por essas iniciativas, nas quais se rastreia o
simples básico -das fazendas ao varejo. Os produtores do Brasil, todavia, já
mostraram que têm condições de oferecer muito mais garantias aos consumidores.
Este
país é o líder em produção socioambiental certificada: café, suco de laranja,
cana-de-açúcar e, mais recentemente, de carne e couro. Atualmente, são mais de
250 mil hectares sob bom manejo.
Sistemas
de certificação de terceira parte, como é o caso do selo Rainforest Alliance
Certified, garantem muito além do básico: por meio de auditorias independentes
e pelo comprometimento dos produtores, as propriedades têm planos escritos e
implementados para recuperação e conservação da biodiversidade, proteção dos
recursos hídricos e garantias aos trabalhadores, como treinamento, moradias e
salários acima da média local. São mais de cem diferentes critérios avaliados
nas auditorias, anualmente.
Os
produtores certificados não são tratados como simples fornecedores, mas, sim,
como profissionais valorizados pelo alto padrão de desempenho socioambiental
que atingem a partir de suas ações. Seus produtos são diferenciados, o que traz
benefícios de imagem e mercado.
Embora
boa parte destes produtos tenha destino internacional, uma iniciativa do Grupo
JD, Imaflora, Marfrig e Carrefour disponibiliza em 13 hipermercados cortes
nobres de carne com o selo Rainforest Alliance Certified. Também foi o caso da
empresa italiana Gucci, ao confeccionar bolsas com couros da mesma origem.
Essas
e outras ações, como a da ABPO (Associação Brasileira de Pecuária Orgânica), no
Mato Grosso do Sul, demonstram que a cadeia produtiva da pecuária está se
abrindo para novas oportunidades, buscando diferenciação e ferramentas de
mercado que possam valorizar seus produtos.
Essas
iniciativas oferecem aos consumidores brasileiros produtos rastreados de alto
desempenho socioambiental e mostra como a união da cadeia produtiva pode gerar
resultados também ao ambiente e àqueles que vivem do campo.
EDUARDO
TREVISAN GONÇALVES, 36, engenheiro agrônomo, é secretário-executivo adjunto do
Imaflora. A ONG faz parte da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais. 
Fonte:Empreendedor Social


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