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As emissões de gases de efeito estufa na agropecuária
subiram quase 2% entre 2015 e 2016. É o maior crescimento registrado dos
últimos cinco anos. Esse é um dos resultados do relatório elaborado pelo
Imaflora para o 5º Seminário Nacional sobre Gases de Efeito Estufa, realizado
pelo Observatório do Clima. O relatório mostra ainda que quando se toma o
período de 1970 a 2016, os indicadores apontam para um crescimento anual das
emissões de gases de efeito estufa, que representam 22% das emissões brutas
brasileiras.
O que explicam os números atuais são, principalmente,
dois fatores: o número recorde de bovinos que, ao lado da redução no abate,
levou o país a ter 220 milhões de cabeças (IBGE); e o salto em 25% no uso de
fertilizantes nitrogenados na agricultura (ANDA): “nunca havíamos registrado um
crescimento tão grande para uma mesma fonte, de um ano para outro”, explica
Ciniro Costa Júnior, pesquisador do Imaflora, que lembra que isso ocorreu em um
ano de crise.
O estado do Mato Grosso é o maior emissor, com 12%, Minas
Gerais fica em segundo lugar com 11% e o Pará em terceiro, com 10% do total das
emissões da agropecuária brasileira.
Os cálculos levam em conta os dados fornecidos pelo
Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas e pelo Inventário Nacional, do
Ministério da Ciência, Tecnolgia e Inovação. No entanto, não consideram as
emissões provocadas pelas áreas degradadas e o sequestro de carbono das áreas
bem manejadas (variação do estoque de carbono nos solos agrícolas) que
atualmente, é negativo.  O SEEG fez esse
exercício de cálculo e concluiu que se essa variável fosse considerada, as
emissões de gases de efeito estufa na agropecuária seriam 7% maiores. “É
importante termos essa informação já que o Brasil assumiu o compromisso de
recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e da implantação
de 5 milhões de hectares de sistema integrado lavoura,pecuária e floresta entre
2020 e 2030, ao assinar o Acordo de Paris”, lembra Ciniro.
Falta monitoramento - No relatório analítico do trabalho
anterior (SEEG 2016), o Imaflora faz uma análise do Plano ABC e da baixa
procura pelo financiamento destinado à agricultura de baixa emissão de carbono. O estudo aponta que mesmo os juros subsidiados não são suficientes para atrair
o produtor, dada à complexidade da burocracia exigida. E constata que mesmo com
o sistema de monitoramento do programa pronto, não é possível saber, se fato, a
proposta de reduzir as emissões de gases de efeito está acontecendo, pois não
chegou a ser implantado. Isso porque o sigilo em torno do tomador do crédito
não permite a localizar a fazenda onde o crédito seria aplicado, portanto,
informações essenciais à análise do sucesso do plano ABC, não estão
disponíveis; como o tipo de solo, seu estágio de degradação, o manejo da pastagem,
entre outras informações.
Por isso, essas análises sugerem que os bancos, os
produtores, as processadoras e a sociedade civil, se engajem para que permitam
o monitoramento e avaliação do programa que desde 2011 destinou aproximadamente
20 bilhões de reais em créditos. 


Imaflora

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