REGISTRO DE DENÚNCIA

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Eduardo Trevisan Gonçalves*
Oseias Mendes da Costa**
Rodrigo Cascalles***
O endosulfan, pesticida organoclorado utilizado mundialmente no controle da famosa larva do besouro Hypothenemus hampei, a broca, considerado altamente tóxico e associado a problemas reprodutivos e do sistema endócrino - será banido do País a partir de 31 de julho de 2013. Proibido na Colômbia desde 2001, a fabricação do produto já está proibida em 44 países, incluindo Brasil e União Européia. Outros 16[1] possuem políticas de restrição ao uso. (sugestão: proibido na Colômbia desde 2001 e em outros 44 países, incluindo Brasil e além da União Européia, outros 16 possuem restrições ao uso. As restrições ao uso do endossulfan se dão pelo fato . do produto fazer parte dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), disseminados após a segunda guerra mundial e reconhecidamente bio- acumuladores e persistentes, isto é, da mesma maneira que o DDT e Aldrim, se acumulam nos animais por meio das cadeias reprodutivas.   
Por ser um produto de tecnologia ultrapassada, sua produção e uso são altamente perigosos. Em novembro de 2008, a empresa Servatis - uma das fabricantes do endosulfan ,no Brasil , na época , deixou vazar 18 mil litros do agrotóxico no rio Paraíba do Sul, no município de Resende, no Rio de Janeiro.. O acidente provocou a suspensão da pesca, o esvaziamento de reservatórios e a possível contaminação da água em diversas cidades[2], sem contar que o produto derramado está em circulação até hoje, pois não se degrada com facilidade no ambiente.
Os principais sistemas de certificação e de verificação de café, Rainforest Alliance CertifiedTM, UTZ Certified, 4C, e Fair Trade, têm políticas de restrição ao uso do produto a fim de garantir a saúde das pessoas e do meio ambiente. A RAS (entidade de acredita organismos de certificação para uso do selo Rainforest Alliance CertifiedTM), tinha como política banir o endossufan até 2011. A pedido dos produtores brasileiros prorrogou seu uso até julho de 2012. UTZ e 4C prorrogaram a utilização do endossulfan até julho de 2013, acompanhado a legislação brasileira, que permite a utilização de estoques antigos.
A proibição tem causado muita preocupação aos cafeicultores e ao mercado de cafés especiais já que, até o momento, existem poucas opções químicas com efeito similar, e as práticas não químicas, entre elas a coleta dos cafés do chão após a colheita são consideradas de alto custo, e a utilização de agentes biológicos ainda foi pouco estudada. Estas mudanças poderão acarretar prejuízos econômicos aos produtores e diminuição da qualidade dos grãos já que muitos deles poderão ir ao mercado brocados.
Seja agora ou até julho, os produtores de café terão que descontinuar o uso do endossulfan. Nos casos dos certificados, esta medida é mais urgente, já que poderão perder sua certificação no caso de descumprimento de regras. No caso dos não certificados, o acesso ao produto acabará muito brevemente.
 * Engenheiro agrônomo, MBA agronegócios. Gerente de Projetos do Imaflora ** Administrador Rural, Representante Região Cerrado, Imaflora *** Eng. Agrônomo e Executive Coach. Coordenador projetos Café, Imaflora
[1]http://www.estadao.com.br/noticias/geral,anvisa-determina-retirada-do-endossulfan-do-mercado-em-tres-anos,596367,0.htm[2]http://www.ecodebate.com.br/2009/04/09/contaminacao-no-rio-paraiba-do-sul-rj-cronica-de-uma-catastrofe-ambiental-artigo-de-andre-deak/

 
É Broca

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