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O movimento a
favor da construção de grandes edifícios em madeira, como alternativa
ambientalmente amigável ao aço e ao concreto, foi reforçado por uma fonte
incomum - uma importante empresa de arquitetura conhecida por suas torres de
aço e concreto.
Fonte: Henry
Fountain - New York Times


A Skidmore, Owings & Merrill, sediada em Chicago, projetou uma longa lista
de arranha-céus, incluindo o One World Trade Center, na zona sul de Manhattan.
Ela desenvolveu um sistema estrutural que usa a chamada "mass timber"
[madeira massificada] - colunas e vigas grossas laminadas, feitas com pedaços
menores de madeira. Em um relatório deste ano, a empresa mostrou como o sistema
pode ser usado para um edifício residencial de 42 andares, que emitiria menos
carbono em sua construção que uma estrutura convencional.


"Queríamos ajudar no lado da sustentabilidade", disse William F.
Baker, sócio da empresa. Com seu sistema, cerca de 70% do material estrutural é
de madeira. A maior parte do resto, incluindo a fundação, é de concreto.


Benton Johnson, engenheiro que trabalhou no relatório, disse que os edifícios
de madeira poderão ajudar a solucionar o problema de fornecer habitação
adequada para os bilhões de pessoas que vivem nas cidades, enquanto se enfrenta
a mudança climática.


Até agora, os edifícios em madeira eram defendidos principalmente por
arquitetos e engenheiros de empresas menores de fora dos EUA. Eles aprovaram o
relatório da Skidmore, Owings & Merrill. Michael Green, arquiteto de
Vancouver, no Canadá, que ajudou a criar um sistema estrutural diferente para
torres de madeira que foi detalhado em um relatório no ano passado, disse:
"Essa é a primeira novidade na construção em cem anos".


Poucos edifícios modernos foram construídos com madeira em todo o mundo. Só um,
um prédio de apartamentos que foi concluído neste ano em Melbourne, na
Austrália, atingiu dez andares. O projeto de Green de um prédio de uso misto de
27 metros em Prince George, no Canadá, fará dele o mais alto de madeira na
América do Norte quando for concluído, em 2014.


Construir torres elevadas exigirá mudanças nos códigos de construção -a maioria
deles limita as estruturas de madeira a quatro andares ou menos- e nos métodos
de construção. Além disso, arquitetos, engenheiros e empreiteiras terão de ser
convencidos de que os prédios de madeira podem ser seguros, bonitos e
rentáveis.


A produção de aço e concreto gera quantidades significativas de CO2, gás que
produz o efeito estufa, e a madeira retém o carbono do CO2 retirado da
atmosfera por meio da fotossíntese. Por isso, usar madeira nos elementos
estruturais pode ajudar a compensar as emissões de carbono de outras partes do
processo de construção e da operação do edifício pronto.


Não se trata da construção em molduras, tradicional nos EUA, em que os
elementos são pregados uns aos outros. Ele é mais parecido com construir com
lajes de concreto. Baker disse que, desde que as florestas sejam manejadas, os
prédios sustentáveis de madeira não deverão ter grande impacto.


Também há milhões de pinheiros abetos na América do Norte que foram mortos por
uma praga de besouros e poderiam ser usados para a produção de painéis.


O sistema da Skidmore, Owings & Merrill usa um tipo de madeira trabalhada que
se chama madeira laminada colada, ou "glulam" na sigla em inglês,
para as colunas do edifício e lajes de madeira laminada cruzada para o núcleo
central, os pisos e as paredes estruturais, que fornecem rigidez contra rajadas
de vento. Mas o conceito pede vigas de concreto ao longo do perímetro de cada
piso e em outros lugares, para permitir vãos maiores e maior flexibilidade nos
projetos.


Green apresenta em seu relatório um sistema que poderia ser usado para
construir torres em regiões de atividade sísmica, como Vancouver. Em vez de
concreto, ele usa algumas vigas de aço para permitir que o prédio reaja melhor
às forças de terremotos.


Andrew Waugh, arquiteto britânico cujo prédio de apartamentos de nove andares
em Londres, concluído em 2009, tornou-se um exemplo para o movimento das torres
de madeira, disse que ambos os relatórios ajudam a dar força aos prédios com
mais de dez andares. "É um momento muito animador", disse Waugh.
"Parece o nascimento do voo - é um momento desse tipo na engenharia."
FSC Brasil 

 
Imaflora

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