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As 150
toneladas de cacau produzido em São Félix do Xingu serão entregues ao longo da
safra, que termina em outubro
Um grupo de pequenos
produtores de cacau de São Félix do Xingu, no Pará, embarcará de agora até o
mês de outubro o equivalente a uma carga de cento e cinquenta toneladas do
produto para a Indústria Brasileira do Cacau – IBC, localizada no interior
paulista. O acordo comercial de R$ 1 milhão acaba de ser firmado e é apenas o
primeiro de uma série de negócios que os agricultores da região devem fechar
com a indústria de chocolates finos.
No ano passado, a
pedido do IMAFLORA – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, o
cacau da região de São Félix passou pelo crivo de testes profissionais, entre
eles o da Indústria Brasileira de Cacau – IBC e da Cacau Show. Aprovado como um
cacau de Tipo 1 – destinado à fabricação de chocolates finos –, o produto
ganhou ainda mais destaque na vitrine nacional e internacional.
“Há bons negócios no
horizonte”, anima-se Marcos Fróes Nachtergaele, a cooperativa comercializa por
safra em média 2000 toneladas de cacau e este ano já se comprometeu em produzir
150 toneladas de cacau tipo I para
IBC.
O trabalho na região
se dá em parceria com a CAMPPAX – Cooperativa Alternativa Mista de Pequenos
Produtores do Alto Xingu a ADAFAX – Associação para o Desenvolvimento da
Agricultura Familiar do Alto Xingu. O projeto conta com patrocínio da Petrobras
desde 2013 e participa do Programa Petrobras Socioambiental, um dos
instrumentos da política de responsabilidade social da companhia.

SOMBRA E ÁGUA FRESCA – Com sistemas de produção conhecidos
como agrofloresta, as árvores do cacau são plantadas à sombra de outras
espécies e ajudam a recuperar áreas degradadas. “O cacau recompõe a paisagem
nativa, favorece a regeneração da floresta e a recuperação de fontes de água
limpa, ao mesmo tempo em que gera significativa renda ao produtor”, explica o
especialista do IMAFLORA.
Ele explica que o
cacaueiro, por ser nativo da Amazônia, desfruta de ambiente ideal para crescer
na região, principalmente pela abundância de água e as defesas naturais contra
o ataque de pragas, reduzindo a aplicação de fungicidas. Os frutos apresentam a
tonalidade avermelhada, aroma frutado, mais nutrientes e manteiga na quantidade
exata. As técnicas de cultivo com podas constantes e o processo de
beneficiamento (quebra dos frutos, fermentação ideal e seleção das amêndoas)
agregam ainda mais qualidade ao cacau produzido em São Félix.
Atualmente, Marcos Nachtergaele
coordena o apoio aos agricultores familiares na recomposição das matas
ciliares, áreas florestais, reservas legais e auxilia na interpretação do novo
Código Florestal, para que os proprietários possam se adequar ao Cadastro
Ambiental Rural (CAR). O especialista acredita que a organização das famílias
em cooperativas, a adequação socioambiental das propriedades e o domínio de
tecnologias apropriadas ao manejo do cacau fazem com que os pequenos produtores
sintam-se motivados a permanecer nas áreas rurais, criando condições para o
surgimento de cadeias produtivas sustentáveis.
Estabelecer e
fortalecer os elos dessas cadeias são parte do trabalho do IMAFLORA na região.
Com a cultura cacaueira que floresce em São Félix, as grandes indústrias
começam a se aproximar. E elas querem grande quantidade de matéria prima de
alto padrão. Mas já começam a exigir também que o produto seja “correto” do
ponto de vista ambiental e social, explica a especialista do IMAFLORA. O cacau
desses produtores de São Félix cumpre todos esses requisitos.
“O importante dessa
iniciativa é a estratégia de ganha – ganha. Nós do IMAFLORA fizemos a
aproximação de uma cooperativa de agricultores familiares (CAMPPAX) de São Félix
do Xingu interessados na agregação de valor do seu cacau junto com uma empresa
focada na produção de matéria prima para chocolates (IBC), gerando ganhos a
todos os elos da cadeia”, destaca Eduardo Trevisan Gonçalves, da área de
Projetos de Mercados Agrícolas, do IMAFLORA........................................................................................................................................
Sobre o projeto Florestas de ValorO projeto Florestas
de Valor existe para fortalecer as cadeias de produtos florestais não
madeireiros, disseminar a agroecologia e conservar a floresta em três regiões
do estado do Pará: na Calha Norte do rio Amazonas, na Terra do Meio e no
município de São Félix do Xingu. O projeto apoia a implantação de sistemas
produtivos responsáveis, conecta extrativistas e empresas na lógica do mercado
ético e busca sensibilizar a sociedade para o consumo consciente de produtos
florestais e para a conservação dos recursos naturais. Saiba mais em www.imaflora.org/florestasdevalor  


 





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